Convite para hoje
100 anos da Tuna Musical de Santa Marinha
Aproveito o momento comemorativo para partilhar com os leitores alguns documentos com meio século, do tempo em que a TMSM comemorou o seu cinquentenário, que ocorreu num ano altamente marcante na vida da instituição porque começou em pleno fascismo e acabou em plena liberdade, alterando drasticamente as condições em que se desenvolviam as suas muitas actividades.
(1) Nessa mesma época, houve em Gaia outras publicações periódicas que não eram submetidas à censura. Duas delas, os jornais “A Semente” e “Perspectiva”, podem ser encontrados aqui.
Grande 25 de Abril fizemos este ano em todo o país.
Penso que no futuro, talvez não muito distante, se compreenderá a enorme importância política das comemorações do cinquentenário da Revolução.
As fotografias de Lisboa, do Porto e doutros locais são verdadeiramente eloquentes de que algo de especial se passou.
Também em Gaia, ou melhor, de Gaia até ao Porto, o 25 de Abril ficou marcado uma inabitual (pode dizer-se mesmo: inédita no concelho) manifestação multipartidária e popular, de que vos deixo aqui algumas fotografias.
25 de Abril em Gaia: E eu, que bandeira vou levar?
E, como é sugerido no convite dos organizadores, vou levar uma bandeira. Mas, sabem uma coisa? Acontecimentos recentes no Parlamento deram-me uma vontade enorme (talvez anacrónica, reconheço) de levar esta bandeira.
Valerá a pena explicar porquê e espero que memórias tão antigas não contenham imprecisões.
É que fará em breve cinquenta anos que andava eu, neste mesmo local de Gaia onde começa a manifestação, a recolher assinaturas para legalizar este partido.
No dia 21 de Março de 1976, no 2º Congresso, fui eleito para a direcção nacional. Fomos chamados ao palco com o anúncio dos resultados da eleição; entre os novos dirigentes que subiram comigo ao palco estava o Maximino Barbosa de Sousa, o padre Max.
Menos de duas semanas depois, a 2 de Abril, a Assembleia Constituinte aprovava a Constituição, a magnífica Constituição da nova democracia, uma derrota histórica das forças reaccionárias, o enterro formal do fascismo. E foi nesse dia de profunda alegria democrática que uma organização terrorista chamada MDLP fez explodir o padre Max e a camarada Maria de Lurdes Correia dentro do carro, perto de Vila Real.
Estou certo de que percebem que, com a eleição de um dos dirigentes máximos do MDLP para a vice-presidência da Assembleia da República, me tenha dado esta vontade súbita de marchar neste 25 de Abril com a bandeira que era a do Max e da Maria de Lurdes.
As comemorações do cinquentenário são também um momento de lembrar a história.











