Todos pelo Coliseu

Numa altura em que se volta a falar sobre o futuro deste espaço tão cheio de história e de significado, trago-vos à memória o cartaz feito para a campanha daqueles dias difíceis de 1995, em que o Coliseu esteve quase a mudar de vida. 

Foi uma grande vitória, que os nossos irmãos lisboetas infelizmente não conseguiram com o seu Cinema Império. E vitórias destas contra as várias formas do capital selvagem e predador, no campo das políticas urbanas e da cultura, não abundam no nosso historial. Por isso a valorizamos tanto. 

Nota: O cartaz é da autoria do José Rodrigues e do Humberto Nelson, que se empenharam pro-bono nesta luta, como aliás todos os que organizámos o espectáculo, bem como todos os artistas que nele participaram. Foi por amor, foi por convicção, foi por revolta, foi por necessidade. Não nos peçam agora para olharmos para o Coliseu com o olhar frio dos negócios e a sua cruel racionalidade.

No centenário de Isolino Vaz


 

ALGUMAS MEMÓRIAS E A HISTÓRIA DE UM RETRATO


Neste ano de 2022, comemora-se o centenário do nascimento do mestre Isolino Vaz, artista plástico com uma obra muito diversificada e altamente qualificada que, pela sua vastidão, se encontra dispersa pelo país e não só.


Foi com imenso agrado que tive conhecimento de que a família e algumas instituições a que esteve ligado estão a preparar um programa de eventos comemorativos.

É com todo o gosto e alguma emoção que tento contribuir para essa justa homenagem, registando aqui algumas memórias pessoais, já um pouco desfocadas pela neblina de meio século de distância.


No início da década de 60, em Vila Nova de Gaia, na antiga quinta do Cabo Mor, junto ao Jardim Soares dos Reis, tomava forma um pequeno loteamento em frente à Escola Industrial e Comercial de Gaia (hoje Escola Secundária António Sérgio). É um pequeno “rectângulo” com três ruas e trinta vivendas. Aí construiu a família Vaz a sua casa, na rua do meio, a rua Tristão Vaz. Na minha opinião, era a mais bonita, a mais encantadora das trinta, cheia de obras de arte, que me encantava sempre que lá ia e o meu olhar se perdia a descobrir todos os pormenores. 


Aquele era o nosso bairro, onde se gerou um certo sentido de comunidade, criado e consolidado pelos mais novos, com mais facilidade de se relacionarem pelas brincadeiras, pelos jogos, pelos namoros, por crescerem e evoluírem juntos naquela idade onde se descobrem tantas coisas novas. Tão forte era esse sentido de comunidade que ganhou forma numa associação: a AJCM, Associação da Juventude de Cabo Mor, com logotipo e crachat e tudo, associação em que participavam o Mário e a Elsa (filhos de Isolino) e que desenvolveu um grande leque de iniciativas em que envolvemos também os pais, Isolino Vaz incluído.



Isolino era da idade dos meus pais, eu sou da geração dos seus filhos. Foi nessa época que o mestre, vendo o meu interesse pela arte, particularmente pela sua arte, sobre a qual me falava tantas vezes, me pediu para ser seu ajudante nas inúmeras palestras que fazia e que ilustrava abundantemente com obras suas. Não havendo ainda projecções de “power points” ou de “keynotes”, levávamos os desenhos e pinturas ordenadas em grandes pastas, montávamos um cavalete no palco ou junto à mesa, e a minha nobre missão nas palestras era carregar as coisas e depois ir substituindo as obras pela ordem certa, de acordo com o fluir do discurso do orador, que as comentava uma a uma.


Com o meu envolvimento político na luta antifascista, no fim dos anos 60, houve mais uma implícita cumplicidade que se estabeleceu com o pintor. Foi tudo isso que me levou, anos mais tarde, a ganhar coragem para fazer ao mestre a encomenda de uma obra.


Acabado o meu curso de Engenharia, em 1977, senti-me mais livre para abraçar novos desafios. Com alguns amigos, aventurei-me a abrir uma livraria, um sonho muito comum entre quem ama os livros. Arrendámos um espaço na Rua dos Mártires da Liberdade e decidi chamar-lhe Livraria Bento de Jesus Caraça, pela grande admiração que tinha pelo matemático, pelo político e pelo seu exemplo de cidadão.


Em 25 de Junho de 1978 passavam 30 anos sobre a sua morte. Houve comemorações em Lisboa e noutros locais. No Porto, foi a Livraria que organizou as comemorações. 

O nosso programa incluiria uma grande sessão evocativa, que foi realizada em Belas Artes, com testemunhos de vários companheiros do homenageado, sessão em que se faria o lançamento de uma edição comemorativa de um retrato. 


Dada a amizade que tinha com Isolino Vaz, fui lá a casa pedir-lhe para fazer o retrato. Pela forma simpática e até entusiasmada como recebeu o meu pedido, acho que ficou contente com a incumbência, apesar de não haver qualquer pagamento previsto da minha parte (todos trabalhámos pro-bono na realização daquelas comemorações). Penso que aceitou porque Isolino admirava Bento de Jesus Caraça tanto como eu.


Fez um desenho a carvão, numa folha de 70x100 cm, se bem me lembro. Fizemos a reprodução na velha Inova, Artes Gráficas, na rua de Gonçalo Cristóvão, no Porto, uma edição litográfica com 32,5x47,5 cm. (1)


Pouco depois, em Setembro de 1978, tive de ir para a tropa e de deixar a livraria entregue aos meus amigos, tendo esta vivido um tempo conturbado, acabando vendida à Cooperativa Erva Daninha e fechada a seguir. Essa história não cabe aqui e só a menciono para dizer que nesse processo desapareceu (pelo menos da minha vista) o original do retrato que eu tinha encomendado a mestre Isolino e que tínhamos pendurado na parede da livraria. Imagino que o original da obra ainda exista, espero que não tenha sido destruído.



(1) A Biblioteca Municipal de Gaia tem um exemplar e a associação Amigos de Gaia também. Muito perto do local onde era a livraria Bento de Jesus Caraça, na rua Mártires da Liberdade, o alfarrabista Homem dos Livros (no número 79) tem à venda esta litografia.


Colóquio – A Resistência Estudantil à Ditadura (no ISCTE)



Aqui está o vídeo do colóquio em que participei em 10 Dez. 2021

https://www.iscte-iul.pt/eventos/2816/resistencia-estudantil-ditadura?fbclid=IwAR3SmBOMw2Uf1HxsWVv2gcAulavM05GGMjoZC_n7bfyuEUEic1ug7SidRtE


Resposta a um pedido (e a Feira do Livro)

Como alguns amigos já terão reparado, tenho andado em campanha. Já fiz oito intervenções públicas partilhando ideias e reflexões sobre a política e as autarquias.

Tendo-me sido pedido que publicasse essas notas, ocupei abusivamente mais de 60 páginas deste livro com isso. Espero que sejam úteis para os leitores e aguardo as vossas críticas demolidoras, para ver se aprendo alguma coisa, que bem estou a precisar.

O livro está disponível na Feira do Livro do Porto, no stand 95 da livraria Traga Mundos. Ou pode ser pedido à editora em: furarocerco@gmail.com.










Revolução (em louvor do Otelo)


 

Revolução



Quando éramos novos, muito novos, discutíamos imenso sobre como derrubar o regime fascista. 


Nós, que éramos defensores da independência nacional e não esquecíamos como em 1640 nos tínhamos livrado dos Filipes, nós que éramos herdeiros dos primeiros defensores da necessidade de uma Constituição e abominávamos o absolutismo, não esquecíamos a revolução liberal de 1820, nós que éramos anti-monárquicos e defendíamos que a chefia do Estado teria de resultar de uma eleição popular e nunca ser transmitida hereditariamente dentro da mesma família, não esquecíamos a revolução republicana de 1910, nós que ansiávamos pela liberdade e pela democracia, já tínhamos concluído que, para nos livrarmos do fascismo, tínhamos de fazer uma revolução. E tínhamos, nos nossos intermináveis e entusiasmados debates, concluído que essa revolução teria de ser uma revolução armada ou não teríamos hipótese nenhuma. Só havia um pequeno problema: éramos poucos e não tínhamos armas. 


Estávamos nós nestas angustiantes constatações quando uns tipos, bastante mais práticos do que nós e bastante mais organizados do que nós e que, por acaso, até tinham armas, deitaram mãos à obra e fizeram-na. A nossa sonhada revolução, que foi afinal a revolução deles, que foi a revolução de todo o povo.


Talvez eles nunca tivessem lido aquela pequena frase que um jovem de 27 anos, que vivia em Bruxelas, tinha anotado num caderno de apontamentos, há mais de um século: “Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.” 

Podem não ter lido, mas perceberam bem o sentido da coisa. 

Ontem, como hoje, a questão é transformá-lo

Obrigado pela demonstração de que é possível. Não esqueceremos. 

Não te esqueceremos, Otelo.

Em Abril, cartazes mil [16]



Chegados ao dia 25, e com este cartaz dos 30 anos, encerramos a pequena série de cartazes das comemorações do 25 de Abril no Porto que vimos aqui publicando diariamente há duas semanas. Digamos que o dia 25 nos liberta dessa obrigação.

 

Todos estes cartazes estão num arquivo (a que chamámos “Estante distante”, a sua estante distante) que está a tratar de organizar a disponibilização online, aberta a todos os públicos, destes e de muitos outros materiais, com uma informação mais completa do que no blog ou no facebook: créditos fotográficos e de design gráfico, dimensões, materiais associados, como postais, autocolantes, etc.

 

Porque vários destes cartazes (se não a sua totalidade) não estariam ainda disponíveis na internet, como estão os cartazes nacionais da Associação 25 de Abril, os leitores mais novos ou os que vivem longe do Porto provavelmente nunca os teriam visto, pelo que esperamos que tenha sido com agrado que os viram pela primeira vez, ou que os reviram com alguma saudade e agora a eles podem voltar quando quiserem. 

 

A preservação da memória e a sua partilha livre também é uma conquista de Abril.






 O programa destas comemorações

Em Abril, cartazes mil [15]


Continuando a publicação de uma série de cartazes das comemorações do 25 de Abril no Porto, apresentamos neste post o cartaz das comemorações populares de 1997.

Em Abril, cartazes mil [14]


No 25º aniversario da Revolução, até a STCP - Sociedade de Transportes Colectivos do Porto - publicou o seu cartaz comemorativo, dando os "parabéns" à liberdade.

Em Abril, cartazes mil [13]


Continuando a publicação de cartazes das comemorações do 25 de Abril no Porto, aqui está o cartaz das comemorações populares de 1986.

Em Abril, cartazes mil [12]


Continuando a publicação de cartazes das comemorações do 25 de Abril no Porto, aqui está o cartaz das comemorações populares de 1993.

Em Abril, cartazes mil [11]


Integrado na série de cartazes de comemorações do 25 de Abril no Porto que vimos publicando este mês, este é um cartaz do Sindicato dos Jornalistas promovendo uma exposição de fotografia integrada nas comemorações do 25º aniversário da Revolução.


Em Abril, cartazes mil [10]


 

Continuando a publicação de cartazes relativos às comemorações do 25 de Abril no Porto, aqui temos o cartaz das comemorações populares de 1995.

Em Abril, cartazes mil [9]

 


Continuando a publicação de cartazes relativos às comemorações do 25 de Abril no Porto, aqui temos o cartaz das comemorações populares de 1990.

Em Abril, cartazes mil [8]


Na série de cartazes sobre as comemorações do 25 de Abril no Porto, damos hoje lugar à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, que publicou este cartaz nas suas comemorações concelhias dos 25 anos da Revolução de Abril.

Em Abril, cartazes mil [7]




 Continuando a série de publicações de cartazes das comemorações do 25 de Abril no Porto, temos neste post o cartaz de 2003 das Comemorações Populares.

Em Abril, cartazes mil [6]


Continuando a série de publicações de cartazes das comemorações do 25 de Abril no Porto, temos neste post o cartaz de 1999 das Comemorações Populares.

Nos 25 anos da Revolução, houve um programa reforçado em que a Comissão Promotora (APRIL - Associação Política Regional e de Intervenção Local, Associação 25 de Abril, Câmara Municipal do Porto, Cineclube do Porto, Cooperativa Árvore, Federação das Colectividades, Gesto - Cooperativa Cultural, Inatel, Jornal Universitário do Porto, Sindicato dos Jornalistas e União de Sindicatos do Porto) teve o apoio do Governo Civil do Porto, do Instituto da Juventude e da Universidade do Porto.

O programa das comemorações populares foi o seguinte:




Uma variante deste cartaz (que abaixo se reproduz) foi usada para promover a exposição itinerante da Associação 25 de Abril - "A Semana que Libertou Portugal" - que esteve em Gaia, Famalicão e Bragança, fruto da colaboração com as respectivas Câmaras Municipais, do patrocínio dos Governos Civis dos Distritos envolvidos e do apoio da Delegação do Norte do Ministério da Cultura.

 

Em Abril, cartazes mil [5]


Continuando a publicação de cartazes de comemorações do 25 de Abril no Porto, aqui fica um cartaz de 1995, de uma iniciativa da Associação OLHO VIVO - "O 25 de Abril como Acto Anti-Racista", com o patrocínio do INATEL, em que participaram vários militares da Associação 25 de Abril.
 

Em Abril, cartazes mil [4]

 

Em continuação dos posts anteriores, em se comenta a publicação desta série de cartazes portuenses do 25 de Abril, aqui fica o cartaz de 1995, que é o cartaz que junta mais símbolos de organizações políticas de que tenho memória, sublinhando assim de forma visual a extensa e inclusiva colaboração das esquerdas políticas nestas iniciativas.


FÓRUM ABRIL 95 – "O Futuro da Nação"

Debate + Jantar + Espectáculo


Organizado por:

APRIL – Associação Política Regional e de Intervenção Local


Com a adesão de:

Associação 25 de Abril 

ID – Intervenção Democrática

JS – Juventude Socialista

MDP – Movimento  Democrático Português

OLHO VIVO – Associação Juvenil

PCP – Partido Comunista Português

PE – Plataforma de Esquerda

PS – Partido Socialista

PSR – Partido Socialista Revolucionário

PXXI – Política XXI

UDP – União Democrática Popular

UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta

Em Abril, cartazes mil [3]


Em continuação dos posts anteriores, em se comenta a publicação desta série de cartazes portuenses do 25 de Abril, aqui fica o cartaz de 1994, relativo ao Fórum realizado nas Belas Artes, no vigésimo aniversário da Revolução.


FÓRUM ABRIL 94 – “Abril: os próximos 20 anos"

 

Organizado por:

APRIL – Associação Política Regional e de Intervenção Local


Com a adesão de:

Associação 25 de Abril

CDP – Comunistas pela Democracia e o Progresso 

ID – Intervenção Democrática

MDP – Movimento  Democrático Português

OLHO VIVO – Associação Juvenil

PCP – Partido Comunista Português

PE – Plataforma de Esquerda

PS – Partido Socialista

PSR – Partido Socialista Revolucionário

UDP – União Democrática Popular

UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta

Em Abril, cartazes mil [2]


Em continuação do post anterior, onde se comenta a publicação desta série de cartazes portuenses do 25 de Abril, aqui fica o cartaz de 1992, relativo aos debates organizados no Rivoli.

Esta iniciativa teve como lema "Homenagem a Salgueiro Maia", que tinha morrido no dia 3 desse mesmo mês.

A RTP tem no seu arquivo uma reportagem do evento (https://arquivos.rtp.pt/conteudos/homenagem-a-salgueiro-maia-2/), embora tenha registado por engano, na legenda no seu site, que se passa em Lisboa. 


DEBATES – “O 25 de Abril e o Portugal europeu” – Homenagem a Salgueiro Maia

 

Organizado por:

APRIL – Associação Política Regional e de Intervenção Local

 

Com o apoio de:

Associação 25 de Abril

C. M. Porto – Pelouro de Animação da Cidade

Rádio Nova

 

Com a adesão das organizações políticas:

ID – Intervenção Democrática

MDP/CDE – Movimento  Democrático Português

PCP – Partido Comunista Português

PC(R) – Partido Comunista (Reconstruído)

PS – Partido Socialista

PSR – Partido Socialista Revolucionário

UDP – União Democrática Popular

 

Foram oradores nestas sessões:

Avelino Gonçalves

Alberto Martins

Carlos Marques

Francisco Assis

Francisco Louçã 

Ilda Figueiredo

José Luís Nunes

José Tengarrinha

Luís Fazenda

Macedo Varela

Mário Tomé

Nuno Grande

Otelo Saraiva de Carvalho

Pezarat Correia

Raul Castro

(+ Raimundo Delgado e Rui Oliveira, que não estão mencionados no cartaz)

 

Moderação de:

Artur Costa

Monteiro Pinho

Silva Pinto

Em Abril, cartazes mil [1]



Durante alguns anos, a esquerda portuense - e concretamente a esquerda partidária - viveu momentos de grande colaboração em iniciativas comemorativas do 25 de Abril. 

Para informação e memória, aqui se publicará este mês uma pequena série de cartazes (em arquivo) onde fica patente essa cooperação.

Tiveram um especial papel catalisador dessa unidade a A25A (que continua bem viva) e a APRIL (que infelizmente já cessou actividades), ao tratarem todas as formações da esquerda - as maiores como as mais pequenas - exactamente com o mesmo respeito, numa postura anti-sectária pouco comum nesta área política.

Este cartaz é de 1993, ano em que se realizou no Rivoli o FORUM - Dialogar sobre o desenvolvimento em democracia. Note-se a quantidade, qualidade e diversidade de oradores.

O Forum foi organizado por:

Associação 25 de Abril

APRIL – Associação Política Regional e de Intervenção Local


Com o apoio de:

C. M. Porto – Pelouros de Animação da Cidade e da Educação


Com a adesão das seguintes organizações políticas:

CDP – Comunistas pela Democracia e o Progresso

ID – Intervenção Democrática

MDM – Movimento Democrático de Mulheres

MDP – Movimento  Democrático Português

PCP – Partido Comunista Português

PE – Plataforma de Esquerda

PS – Partido Socialista

PSR – Partido Socialista Revolucionário

UDP – União Democrática Popular

UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta


Foram oradores nestas sessões:

Armando Sá

Augusto Santos Silva

Carlos Marques

Carlos Santos

Delgado da Fonseca

Francisco Avilez

Francisco Assis

Ilda Figueiredo

Jacinto Rodrigues

Jorge Lopes

Jorge Neves

José Cangueiro

José Luís Nunes

José M. Cabral Ferreira

Lusitano Correia

Manuel Fernandes de Sá

Manuela Tavares

Mário David Soares

Mário Barbosa

Mário Brochado Coelho

Mário Tomé

Nuno Grande

Paula Cristina

Paulo Pinho

Paulo de Sousa

Raul Brito

Raul Castro

Rui Oliveira

Rui Sá

Vicente Jorge Silva


E a participação artística de:

Lurdes Norberto

Banda Ekus


Fact-check ao próprio Polígrafo


Lamento que o Polígrafo, que tanto prezo pelo trabalho meritório que tem feito, não tenha passado neste simples fact-check,  sobretudo porque a resposta, a correcção do seu erro, estava mesmo à frente do seu nariz, na própria fotografia com que o Polígrafo ilustrou o artigo.

Deixem-me dar-vos um exemplo futebolístico, muito simples, para ver se compreendem o tipo de erro que estão a cometer: se alguém dissesse "Pedro Proença assumiu a presidência do futebol português", que avaliação faria o Polígrafo? 


Diria que não é verdade, diria talvez que não há presidência do futebol português, que ele é só presidente da Liga, o que é muito diferente; diria que, por exemplo, há também a Federação, que é presidida por Fernando Gomes, etc.


Para qualquer aficionado de futebol, a expressão "presidência do futebol português" soaria algo estranha, porque é um conceito vazio, não corresponde a nada que exista.


Mas, se houvesse um qualquer movimento dentro do futebol português para desvalorizar a Federação e para tentar que o poder no futebol fosse posto nas mãos da Liga, então este simples erro, essa mera falta de rigor, podia assumir conotações mais preocupantes.

 

O mesmo se passa com a "presidência da União Europeia", que também não existe, como sublinho mais detalhadamente aqui, onde mostro não só que é um facto que não existe (prefira os factos), mas que este erro pode ter outras implicações mais negativas, o que, estou certo, não será de forma alguma a intenção do Polígrafo.

31 de Janeiro - Um cartaz de Manuel António Pina, Germano Silva e João Botelho


 


Mergulhando no arquivo em dias de chuva e confinamento, e porque faz hoje 130 anos a revolta republicana do 31 de Janeiro no Porto, trago-vos uma peça interessante que os mais novos certamente não conhecerão: um cartaz comemorativo do centenário (feito em 1991, portanto), com textos do Manuel António Pina e do Germano Silva e colagens do João Botelho. 

Foi um trabalho produzido para a Câmara Municipal do Porto, no âmbito das extensas comemorações do centenário que tiveram lugar na cidade. A nova vereação tinha sido eleita no ano anterior, o novo presidente era Fernando Gomes e a vereadora da Cultura era Manuela Melo.



















































Presidência portuguesa da União Europeia?



Nestes primeiros dias do ano de 2021, todos os meios de comunicação têm dado grande e justificado destaque à presidência portuguesa que agora começa.

Mas há um problema para o qual queria chamar a vossa atenção: os títulos de jornais e rodapés televisivos em que se refere a "Presidência portuguesa da União Europeia" são completamente desadequados e isso tem alguma gravidade que pode passar despercebida. Por duas razões.

A primeira e mais elementar é porque são falsos. Portugal não tem a Presidência da União Europeia porque isso não existe, a União Europeia pura e simplesmente não tem Presidência, nem Presidente. Portugal tem um Presidente, os Estados Unidos também, a União Europeia não tem. E isso não é um acaso nem um pormenor. Foi uma opção bastante ponderada, muito discutida e, penso eu, bastante sensata. 

É claro que há muitas Presidências na UE já que as suas instituições são: 

– o Parlamento Europeu

– o Conselho Europeu
– o Conselho

– a Comissão Europeia 

– o Tribunal de Justiça da União Europeia
– o Banco Central Europeu
– o Tribunal de Contas. 

O Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão são ainda assistidos por um Comité Económico e Social e por um Comité das Regiões, que exercem funções consultivas.

Ora, e falando só nas principais instituições políticas da UE, o Parlamento Europeu tem o seu Presidente (o italiano David-Maria Sassoli), o Conselho Europeu tem o seu Presidente (o belga Charles Michel), a Comissão Europeia tem a sua Presidente (a alemã Ursula von der Leyen) e só o Conselho (ou Conselho da UE ou Conselho de Ministros) tem uma Presidência rotativa e é essa que cabe agora a Portugal. Presidiremos a uma das sete (ou nove, com os comités consultivos) instituições da UE.

Mas, mesmo no estrito âmbito do Conselho da UE, quando se reúnem os Ministros dos Negócios Estrangeiros, este é presidido pelo Alto-Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, que é também Vice-Presidente da Comissão Europeia (o espanhol Josep Borrell Fontelles). E a reunião do Eurogrupo - que já foi presidido por Mário Centeno -, também tem um presidente permanente (o irlandês Paschal Donohoe).

Não se pretende com esta nota desvalorizar a Presidência Portuguesa, que tem a sua importância e um programa com pontos interessantes e positivos, nomeadamente a realização da Cimeira Social do Porto, a 7 de Maio, afirmando a vontade de concretizar o Pilar Social da União Europeia. Nem se pretende desvalorizar o papel dos governantes, diplomatas e funcionários portugueses na condução dos trabalhos e reuniões que lhes competirá presidir.

Pretende-se, isso sim, alertar para o facto de que todo este tratamento jornalístico da Presidência rotativa do Conselho como se fosse a "Presidência da UE" é objectivamente errado, prestando portanto um mau serviço à população porque não a ajuda a compreender o funcionamento institucional da UE, já de si suficientemente complicado e difícil de compreender.

Mas, mais grave do que isso, este erro generalizado dos nossos meios de comunicação - muito provavelmente sem que tenham qualquer intenção de o fazer - acaba por ajudar aos intentos daqueles que pretendem uma maior governamentalização da UE, um maior protagonismo dos governos e do seu Conselho em detrimento do papel da Comissão e do Parlamento Europeu, um retrocesso político e institucional face a um movimento contrário que teve vencimento com a aprovação do Tratado de Lisboa. Como se refere no site oficial do Parlamento Europeu:

"O Tratado de Lisboa, que entrou em vigor no final de 2009, conferiu novos poderes legislativos ao Parlamento Europeu, colocando-o em pé de igualdade com o Conselho de Ministros no processo de tomada de decisões sobre o que a UE faz e a forma como o dinheiro é utilizado. Também alterou a forma como o Parlamento coopera com outras instituições, conferindo aos deputados ao PE um maior peso na condução da UE. Todas estas reformas garantem que o seu voto nas eleições europeias influa de forma ainda mais decisiva na escolha do rumo a seguir pela Europa."

Sugerir, subliminarmente que seja, que o Conselho de Ministros preside à União é pois, não só uma afronta ao Tratado, mas também contrário à recente evolução do projecto europeu no sentido de dar mais peso aos representantes directamente eleitos pelos povos. Os nossos jornalistas deveriam ter isso em conta quando usam a expressão factualmente errónea de "Presidência da União Europeia".


Alguns maus exemplos:









 Um bom exemplo:


No dia 9 de Janeiro de 2021, o Provedor do Leitor do Público, José Manuel Barata-Feyo, publicou parte deste comentário (que lhe tinha enviado). 
Na sequência da chamada de atenção do Provedor, o Público alterou o seu cabeçalho desta maneira:


Parabéns ao Público.