Uma polémica sobre a doença em férias




Publicado em: O Gaiense, 19 de Setembro

  
O mundo do Direito do Trabalho anda agitado com um recente acórdão do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias (TJ) sobre a relação das férias com a doença.
A questão foi suscitada por um Tribunal espanhol, confrontado com o caso de um trabalhador cujas férias estavam marcadas de acordo com o mapa de férias da empresa, mas que adoeceu, tendo recuperado apenas dois dias antes de ter de se apresentar ao trabalho. Pediu então que lhe fosse atribuído outro período de férias correspondente aos dias em que esteve doente, mesmo fora do mapa de férias, mas a empresa recusou.
O TJ analisou o caso e informou o Tribunal espanhol que o trabalhador tinha razão e que as férias deveriam ser remarcadas.
Este caso tem preocupado os meios empresariais, muito particularmente no Reino Unido, onde muitos empregadores têm sempre considerado que se o trabalhador esteve doente durante as férias, tanto pior para ele, teve pouca sorte, mas a empresa nada tem a ver com o assunto. E temem que este acórdão do TJ venha abrir as portas a todos os abusos.
Mas o TJ esclareceu: "É pacífico que a finalidade do direito a férias anuais remuneradas é permitir ao trabalhador descansar e dispor de um período de descontracção e de lazer. Essa finalidade difere, neste aspecto, da finalidade do direito a licença por doença. Esta é concedida ao trabalhador para que se possa restabelecer de uma doença."
E disse mais: que o direito às férias é irrenunciável, que a Directiva europeia se sobrepõe a quaisquer disposições nacionais nesta matéria e que o direito ao novo período de férias teria de ser considerado, nem que ultrapassasse o limite do fim do ano em que deveria ter sido gozado.

Barroso aprovado pelo Parlamento Europeu








Durão Barroso acaba de ser aprovado para um segundo mandato com 382 votos a fovor, 219 votos contra e 117 abstenções, ou seja, 53,2% a favor, 30,5% contra e 16,3% de abstenções.

No seu discurso agradeceu a José Sócrates o apoio, sem o qual esta vitória nunca teria sido possível.

Com esta votação inicia-se o segundo mandato de Durão Barroso como presidente da Comissão. E começa o complexo processo de negociação com os governos dos 26 Estados-Membros (todos menos Portugal) para a divisão dos pelouros na nova Comissão e designação dos nomes que hão-de posteriormente vir a ser submetidos a análise e votação no Parlamento Europeu. Lembremo-nos que, há cinco anos, os deputados rejeitaram a primeira proposta de nome apresentado pelo governo de Berlusconi. Há, pois, ainda um longo caminho a percorrer até termos instalada a Comissão Barroso II.

Algumas críticas foram apresentadas em relação à oportunidade de dar início a este processo num momento em que a União Europeia está envolvida em difíceis negociações, nomeadamente no âmbito das novas regras ambientais a serem estabelecidas na cimeira mundial de Copenhaga, em Dezembro. Não só porque a questão institucional europeia continua por resolver e poderá estar em vésperas de significativas alterações, mas sobretudo porque os longos procedimentos de constituição da nova equipa de Comissários poderiam prejudicar a disponibilidade, a capacidade negocial e a autoridade da actual Comissão, agora presidida por Barroso II, mas ainda constituída por Comissários da Comissão Barroso I já em pleno processo de substituição. Entre eles há mesmo três Comissários - Algirdas Semeta, Pawel Samecki e Karel de Gucht - que foram nomeados há apenas dois dias e cujo mandato se inicia em pleno processo da sua própria substituição.

O apoio "unânime" a Barroso na UE



Strasbourg, 15 de Setembro de 2009

Em Portugal, a recandidatura de Barroso a presidente da Comissão Europeia tem sido apresentada como gozando de largo consenso europeu, de onde se excluiriam apenas as faixas extremas do espectro político.

Para dar uma leve ideia do espírito que se viveu hoje no hemiciclo de Strasbourg, aqui vos deixo uns curtos extractos de intervenções de presidentes de grupos políticos que não se situam nos sectores mais à esquerda e mais à direita da sala.

Martin Schulz, presidente do grupo socialista S&D, onde se integram os deputados do Partido Socialista:
Porque é que o apoio ao Sr. é tão polémico no Parlamento e tão unânime no Conselho? Porque esteve sempre ao serviço dos governos, é por isso que há tanto cepticismo relativamente a si. E porque tem uma maioria que inclui opositores ao Tratado de Lisboa.
Não é aceitável que na sua Comissão não se sossegue enquanto não for privatizado até ao último cemitério municipal na Europa...
Porque não apoia que, num determinado local, a trabalho igual terá de corresponder sempre um salário igual, contra aquilo que impuseram os acórdãos dos casos Viking, Laval e outros?
O apoio do meu grupo não o vai ter.



Guy Verhofstadt, presidente do grupo liberal ALDE:
As suas propostas têm pontos de partida errados. É necessária uma nova estratégia comunitária. Por isso, o nosso apoio será condicionado.


Daniel Cohn-Bendit, presidente dos Verdes:
Olhem para ele agora, José Manuel Obama, yes he can, ele pode tudo. Acabou o pequeno Barroso. Atenção Conselho, atenção governos: agora é ele que manda!
Não temos confiança em si. A sua ideologia esteve na base desta crise, não confiamos nela para sair da crise.
Votaremos contra porque achamos que a Europa precisa de mais e melhor do que você.

Manuais escolares: o próximo passo




Publicado em: Esquerda.net / Opinião em 13 Setembro 2009

Em época de especiais dificuldades económicas é ainda mais chocante a autêntica extorsão a que são submetidas, no início de cada ano lectivo, as famílias que têm crianças a estudar. Por isso são de saudar todas as diferentes iniciativas que permitem que os manuais escolares sejam fornecidos gratuitamente a alguns estudantes do ensino obrigatório mais carenciados.

Há, porém, um passo em frente que merece ser ponderado e que permitiria a gratuitidade imediata e generalizada: o abandono da edição dos manuais escolares em livro e a passagem ao formato digital, a ser posto à disposição de todos para download gratuito. Vejamos as vantagens e desvantagens desta opção.

Hoje em dia, todos os manuais são feitos em formato digital, antes de passarem à fase de impressão, logo a versão digital já existe e para ser disponibilizada poderá, quando muito, ser necessária uma simples conversão para o formato mais adequado.

Os manuais digitais seriam altamente vantajosos em termos ambientais e económicos: poupava-se em papel, tintas e vernizes, em sucessivos transportes de matéria prima até à empresa gráfica, de produto acabado desta para o armazém, depois para as distribuidoras e para as livrarias e espaços comerciais; poupavam-se as deslocações dos compradores para os pontos de venda; poupava-se ainda em espaço de estocagem e na reciclagem das sobras.

E poupavam-se as costas das crianças, que prejudicam a sua saúde carregando diariamente toda uma série de pesados volumes, dos quais apenas precisam, para cada dia, de umas escassas páginas.

Por outro lado, o formato digital permitirá aos autores dos manuais fazer, na hora e sem custos industriais, toda a actualização ou correcção que entendam útil introduzir, o que hoje ou não acontece, ou gera enormes custos e desperdícios.

É claro que a passagem para o formato digital implica uma generalização do acesso aos computadores. Mas a generalização deste acesso nas escolas e nas famílias é um objectivo nacional inadiável. Há que notar que o valor do investimento necessário para que cada estudante disponha de um computador simples, a preço controlado, pode ser inferior ao preço de venda dos manuais que ele utiliza ao longo de cada um dos ciclos do ensino obrigatório. Com a grande diferença de que o computador serve para muitas outras coisas para além do mero trabalho escolar, permite aceder a um mundo enciclopédico de informação e não vai ser deitado fora no fim do ano lectivo. A curto prazo, esta solução ter-se-á revelado mais económica do que a actual.

Os manuais digitais incluirão certamente fichas de trabalho que poderão ser preenchidas no próprio computador ou então impressas para serem preenchidas em papel, como as actuais. E qualquer parte do texto poderá também ser impressa por quem preferir ler em papel. O que permitirá que, neste caso, os alunos transportem apenas as folhas necessárias em cada momento.

Poderá argumentar-se que se estaria a desincentivar nas crianças o gosto pelos livros. Não me parece. Uma parte substancial da leitura que hoje fazemos na nossa vida profissional, qualquer que seja a nossa profissão, já não utiliza a forma livro e não deixa de ser leitura, nem os conteúdos passam a ter menos valor por causa disso. Não há nenhuma razão para que na escola não se passe o mesmo. Por outro lado, quem conheça o tipo de afecto que os estudantes geralmente devotam aos manuais escolares e o destino que lhes dão no fim do ano lectivo, saberá que não há nenhuma vantagem em que um dos seus primeiros contactos com o mundo dos livros seja marcado por esta relação. Pode até revelar-se contraproducente na criação de uma relação duradoura e mais encantada com a leitura e com os livros, que são objectos com que podemos estabelecer relações fortes, que podem durar uma vida inteira.


Comentários no blog:

maria disse...
A lei temos de a fazer. Ou ... fazer com que se faça :)
As crianças andam com o Mundo às costas ...
Nem deviamos estar a falar disso já devia estar resolvido.

14 de Setembro de 2009 22:28


maria disse...
Gosto do artigo :)

14 de Setembro de 2009 22:29


Tiago Silva disse...
Nunca tinha pensado nisso. Mas acho que é uma medida bastante realizável, apesar de que a parte de serem disponibilizados GRATUITAMENTE iria chocar muitos senhores, para quem, o sacrificio de uns é a sorte de outros. Mas hoje em dia é possivel cobrar pelos downloads, seria o mais provável a acontecer, mas é uma questão de apoios do estado.

Para além de que isto seria uma medida bastante moderna, e que poderia aproveitar o tão aclamado projecto de implantação tecnológico no ensino obrigatório.

Muito bom o artigo :)

14 de Setembro de 2009 23:30


madskaddie disse...
Bom eu acho que a solução passa pela opção híbrida: versão digital e a do papel. Digo isto por experiência própria: trabalho demasiado com ebooks e frequentemente vejo-me a necessitar de papel: livros "à moda antiga". Não me parece sensato a via única do digital.

Agora para a via do papel: haveria que se incentivar a biblioteca na escola. O estado financiaria a primeira leva de livros e cada aluno seria responsável pelos livros durante o ano. A caução seria indispensável (atenção: pagar uma vez a caução não é mau face a pagar N vezes o livro como é actualmente).

Para isso teria de haver, uma vez por todas, um acordo político para a estabilidade dos programas.

Outro aspecto a salientar é que o método de produção tem de mudar! Não é aceitável uma medida deste tipo sem de uma vez por todas acabar com as industrias tradicionais. Livros em creative commons são essenciais, feitos e avaliados por pares "a la Wikipedia". O professor seria o responsável pela adopção dos conteúdos digitais que mais lhe aumentasse o gosto pelo educar, sendo que obviamente teria de haver uma certa coerência com os artigos disponíveis em versão papel. Nem o Estado nem os alunos (pais dos) têm de sustentar uma industria desactualizada (só para manter empregos). Isso é desperdício e não é progresso. Para um "case study" de livros em CC, julgo que o estado da Califórnia fez um concurso público e quem ganhou em qualidade foram os editores de conteúdos livres.

Uma parte dos livreiros (que eventualmente seriam despedidos da sua função antiga) teriam de se adaptar e poderiam ir para a área de avaliação dos conteúdos e no que restasse das funções das versões em papel. Parte dos autores são professores, com esses não me preocuparia (não são ricos, mas tem emprego bem acima da média miserável nacional). O que sobra já estaria condenado a desaparecer na mesma, tal como a industria que se situa entre músicos e ouvintes, pelo que há que encontrar é uma solução e não choramingar porque foram atingidos pelo progresso.

Note-se que esta solução não pode ser aplicada duma maneira cega a todas as idades: não é a mesma coisa um miúdo da primária que um adolescente do 10 ano. Mas isso seria tema para investigação

15 de Setembro de 2009 12:46


Comentários em esquerda.net:

em 15 de Setembro de 2009 11:06 por Francisco
Esta proposta é tão óbvia e pertinente q deve ser bradada aos 7 ventos

em 14 de Setembro de 2009 22:43 por Nuno Miranda
Ao ler o meu comentário, vi que fui pouco claro. Até parece que protesto contra os computadores e os comparo a Sócrates como destruidores da leitura.
O que queria dizer é que houve sempre Velhos do Restelo que agora protestam contra os computadores na escola, tal como no seu tempo Sócrates protestou contra a escrita, novidade do seu tempo.
Aqui fica o esclarecimento!

em 13 de Setembro de 2009 23:13 por Nuno Miranda
Platão, no Fedro, põe Sócrates a dizer: "Os que utilizarem a escrita tornar-se-ão desmemoriados e apoiar-se-ão apenas num recurso externo para aquilo de que precisam internamente. A escrita enfraquece a mente."
Não há registro do que disse Sócrates, que nada escreveu. Só o que Platão disse que ele disse...
Imaginem as escolas sem a escrita, que no fundo é uma tecnologia, tal como o computador. E muitos ainda terão vivido na escola que proibia as calculadoras por não exercitarem a memória.

Uma campanha singular



Publicado em: O Gaiense, 12 Setembro 2009

Hoje gostaria de propor um pequeno teste aos nossos leitores. Tente adivinhar qual é o político europeu que acaba de publicar estas frases:

"A crise veio demonstrar que o mundo precisa de valores e de modelos de sociedade capazes de gerar novas ideias. (Devemos) construir um enquadramento regulamentar no domínio social, ambiental e técnico que coloque os mercados ao serviço das pessoas. O mundo aprendeu, à sua custa, o preço a pagar pelo facto de deixar que os mercados e os seus agentes definam as regras do jogo. (As) taxas de crescimento – e o modelo económico que lhes estava subjacente – eram simplesmente insustentáveis. A retoma exigirá uma abordagem diferente da que foi adoptada no passado. Temos de deixar de nos preocupar unicamente com o saldo líquido e evoluir no sentido de uma abordagem baseada na solidariedade, na partilha dos encargos e na equidade, que seja abrangente e partilhada por todos. É fundamental impedir novas perdas de postos de trabalho e auxiliar as pessoas no desemprego. Precisamos de garantir que os valores da inclusão, equidade e justiça social sejam retomados numa nova abordagem. Não permitiremos que direitos sociais de base, como o direito de associação ou o direito à greve, sejam comprometidos, na medida em que são fundamentais para o modelo europeu de sociedade. (Devemos) permitir que os cidadãos participem na tomada de decisões, nomeadamente através da transparência sobre a forma como tais decisões são tomadas. Devemos explorar o nosso potencial para nos tornarmos uma potência civil para a paz."


Um dos habituais críticos de esquerda, considerados utópicos e irrealistas? Não. Por incrível que lhe possa parecer, isto são extractos do documento com que Barroso está a fazer a sua campanha no Parlamento Europeu. Tendo à partida o apoio seguro do PPE, partiu à conquista de outros votos. Com uma retórica que já conseguiu comover o coração sensível de alguns socialistas. E que lhe pode assim vir a assegurar uma incerta e difícil reeleição.

Imagens do encontro "Direitos contra Direitos"

Algumas imagens do encontro de 6 de Setembro
(ver programa completo em post anterior)

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A imagem do encontro com objectos de Vitalia Samuilova, uma artista da Lituânia


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Sessão de abertura


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O frente a frente entre Miguel Guedes e Adolfo Luxúria Canibal, moderado por João Gobern



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Os debates









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Sessão de encerramento





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Concerto de "Ballis Band"





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Concerto de "a Jigsaw"











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O convívio final com o DJ Rodrigo Affreixo



Barroso em campanha junto dos eurodeputados da esquerda

Bruxelas, 8 de Setembro de 2009





Diz Barroso:

São os governos, no Conselho, que estão a bloquear a construção de uma Europa social. Por exemplo, na discussão das perspectivas financeiras, foram os governos que obrigaram a redução do orçamento. A Comissão foi mais ambiciosa do que os Estados-Membros nas questões sociais. Quando propus medidas contra a pobreza na Europa, os governos disseram que não, que cada governo toma conta dos seus pobres.



Não apoio a taxa Tobin, porque não quero que os serviços financeiros que estão na Europa se deslocalizem.

Sobre a regulação do mercado do medicamento, o nosso enfoque é no funcionamento do mercado interno, porque as competências na área da saúde pública são dos Estados-Membros.



Nunca dissemos a nenhum governo que devia privatizar os serviços públicos, nunca dissemos que os Estados-Membros deviam privatizar bancos públicos. Só temos é que garantir que o mercado interno funcione, isso é a nossa obrigação. Se os franceses, por exemplo, querem privatizar os serviços postais é com eles, não venham atirar as culpas para a Comissão.



Não haverá discriminação contra os irlandeses se voltarem a votar não no segundo referendo. Mas um país que bloqueia um processo colectivo gasta o seu capital político e diplomático nisso e não tem a mesma força para o resto. O governo irlandês aprovou o Tratado, se o povo votar não, o governo vai gastar o seu tempo e energia na UE a explicar as razões do não em vez de tratar dos interesses dos irlandeses.

A directiva sobre o destacamento dos trabalhadores foi feita porque havia muitos trabalhadores portugueses explorados de uma forma inaceitável na Holanda.

É verdade que os acórdãos do Tribunal de Justiça nos casos Laval, Viking, Rüpert e outros criaram alguns problemas em vários países. Mas a minha preocupação principal tem de ser a garantia de condições equilibradas para a concorrência.

Nunca falei em desregulação, mas sim em termos apenas a regulação necessária.

Nota final: espero que estas transcrições, feitas em directo na reunião, não contenham incorrecções, mas uma garantia absoluta não pode ser dada.

Berlusconi manda calar a Europa



Publicado em: O Gaiense, 5 de Setembro de 2009

Um porta-voz da Comissão Europeia (CE) informou que tinha sido pedida à Itália e a Malta uma clarificação sobre um incidente ocorrido no Mediterrâneo com um barco com imigrantes africanos, que foi forçado a dirigir-se para a Líbia.

Berlusconi reagiu violentamente, mandando calar a Comissão e ameaçando com o bloqueio da União se as suas exigências não forem satisfeitas: “Não daremos mais o nosso voto, bloqueando de facto o funcionamento do Conselho Europeu, se não se determinar que nenhum Comissário Europeu e nenhum porta-voz da Comissão possa mais intervir sobre qualquer assunto.” “Intervir deve respeitar só ao Presidente da CE e ao seu porta-voz” e os Comissários e porta-vozes que continuem a pronunciar-se, como têm feito ao longo dos últimos anos, deverão ser “demitidos de maneira definitiva”, porque as suas intervenções “dão armas à oposição”.

É a tentativa de impor a lei da rolha, acompanhada da chantagem de um bloqueio institucional. Não é normal na política europeia alguém descer tão baixo.

Embora se possa muitas vezes discordar do conteúdo das intervenções públicas da Comissão, não se pode deixar de considerar que as ameaças de Berlusconi exigem uma resposta firme, rápida e clara. Que deveria ser dada pelo primeiro responsável da instituição visada: Durão Barroso. Mas há sérias dúvidas de que queira afrontar um primeiro-ministro num momento crucial para a sua ainda incerta reeleição. É, porém, nestes momentos que a fibra de um político tem o seu verdadeiro teste. Se reagir em defesa dos seus colegas e dos seus funcionários, em defesa da honra e do papel do colectivo a que preside, ganhará seguramente respeito da Europa, mas pode perder o seu lugar. Se se calar, poderá mais facilmente garantir a nomeação para o ambicionado posto de presidente, mas todos ficarão esclarecidos sobre o perfil político que vai caracterizar o seu mandato.

Barragem do Sabor - Parlamento Europeu rejeita encerramento do caso



Bruxelas, 1 de Setembro de 2009 - A Comissão de Petições do Parlamento Europeu acaba de rejeitar o encerramento do caso da Barragem do Sabor.

A Comissão Europeia, presidida pelo ex-primeiro ministro português que foi responsável pelo polémico projecto, defendia exactamente o oposto, argumentando que "(t)endo em conta os compromissos assumidos pelas autoridades portuguesas e o facto de o projecto da barragem do Baixo Sabor constituir uma peça importante da estratégia do Governo português em matéria de energias renováveis, a Comissão considera que não é oportuno manter o processo de queixa aberto. Contudo, não deixará de acompanhar a execução do programa de medidas de mitigação e de compensação com que as autoridades portuguesas se comprometeram para o projecto."

A Comissão de Petições não aceitou este argumento e decidiu, pelo contrário, convocar os peticionários (a Plataforma Sabor Livre) e o governo português para virem a uma próxima reunião expor os seus argumentos contraditórios num frente a frente perante os eurodeputados.

Acesso aos documentos hoje em debate:
http://www.europarl.europa.eu/meetdocs/2009_2014/documents/peti/dv/peti_cm(2009)355396_/peti_cm(2009)355396_pt.pdf

Indecisões e adiamentos na guerra das estradas


Crash II by ~inta on deviantART


Publicado em: O Gaiense em 29 de Agosto de 2009

Há um inovador sistema de alerta de acidentes que se previa que fosse integrado em todos os automóveis novos até ao fim deste ano. Trata-se do e-Call, um pequeno aparelho que, em caso de acidente, contacta automaticamente o centro de emergência mais próximo, dando a exacta localização do acidente, esteja a viatura onde estiver em qualquer país da UE ou outro país europeu aderente ao sistema de emergência E112, uma versão do número de socorro 112 que inclui a localização automática.

Quando se viaja no estrangeiro, isto pode ser particularmente útil, não só porque ultrapassa a barreira da língua no pedido de socorro, mas também porque muitas vezes não sabemos descrever exactamente a nossa localização num país desconhecido, ou apenas longe de casa, sobretudo no estado de perturbação que se segue a um acidente.
O pequeno aparelho custa cerca de 100 euros e não parece que quem dá uns milhares de euros por um carro novo, deixe de o comprar por custar mais 100 euros, sobretudo sabendo que é em seu benefício directo.

Portugal aderiu ao sistema há quase dois anos. Apesar de a maioria dos Estados-Membros já ter aderido, há ainda enormes atrasos. O que levou a indústria a adiar a introdução do aparelho. A meta do fim de 2009 para entrada em funcionamento do sistema foi abandonada. Agora, a Comissão pondera passar dos apelos voluntários à imposição legal.

Na UE temos 39 000 mortos e 1,7 milhões de feridos por ano na guerra das estradas, o que deixa a léguas o número de europeus mortos e feridos no Iraque e no Afeganistão. O adiamento da instalação do e-Call não tem justificação. É, literalmente, um caso de vida ou de morte e como tal deveria ter sido tratado por todos os governos e pelas indústrias automóvel e de comunicações. Mas não foi.

O Banco Europeu de Investimento e os offshores



EIB: funding development through tax havens

The European Commission and big member states like France and Germany are planning a crack down on tax havens (while Britain is pretending to). So it might come as a surprise that the EU’s house bank, the European Investment Bank (EIB), is busily lending to companies established in tax havens.

Particularly notable is EIB lending for supposed development projects in poor countries. In reality, this ‘development assistance’ is a way to channel low-cost public capital to private equity firms that look for projects with juicy returns of 20 percent or more, before remitting the proceeds to low or no-tax and minimum transparency jurisdictions such as Mauritius.

For example, the EIB has recently (16 June) agreed a $15 million loan to Shorecap International Limited, a private equity outfit specialising in microfinance. The firm, which boasted in its 2007 report of an average 23 percent rate of return, is incorporated in the Cayman Islands.

Another beneficiary is Africap, a Mauritius-based investment company, which received €5 million from the EIB in 2007. Mauritius, a tiny Indian Ocean island with 1.3 million people, is a favourite haunt of so-called development funds, including Adlevo Capital, Africinvest Limited, GroFin and Leapfrog Investments. These firms alone have shared €65 million of EIB money in the last 12 months. Mauritius is the source of an extraordinary 44 percent of foreign investment in India – underlining the extent to which development assistance has become a tax avoidance scam.

The EIB also during 2008 agreed loans totalling €53 million for funds run by Aureos Capital Limited, also Mauritius-registered. Until it was sold to its managers at a knock-down price (an issue covered extensively in Private Eye magazine), Aureos was a joint venture between CDC (the UK’s development finance institution) and Norway’s development fund Norfund, which has imitated CDC’s strategy of channelling public money to funds registered in tax havens.

The difference between CDC and Norfund, however, is that the Norwegian government has now told Norfund to stop investing in tax havens. Counter Balance, a campaign group that has analysed EIB lending to tax dodgers, noted that Norway finally came round to following “the logic that development funds should not support tax evasion.” When will Britain, and the EIB, take the same approach?

Note: a version of this article was originally published in Private Eye. The Counter Balance group is campaigning for more openness on the part of the EIB, which remains a relatively non-transparent EU institution.

EIB: funding development through tax havens « The Digger

Stephen Gardner


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