Povo samba na rua, Governador samba na prisão

Brasília goza este ano um Carnaval muito especial: o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acaba de ser preso e, em vez de presidir aos desfiles, vai ficar a dançar samba sózinho no calabouço deste quartel da Superintendência da Polícia Federal.




Vítima da operação Caixa de Pandora, o governador e outros políticos próximos dele foram literalmente apanhados com a mão na massa por uma câmara oculta, distribuindo maços de notas pelos bolsos, carteiras e mesmo nas meias. O Governador estará ainda envolvido no suborno à testemunha fundamental de um esquema de corrupção conhecido como Mensalão do Brasília. Arruda é apontado como chefe do esquema.



O vice-governador está agora a exercer o cargo interinamente, mas sobre ele recaiem já quatro processos de impeachment por actos de corrupção. Vários deputados estão também envolvidos. Há dúvidas sobre quem poderá vir a presidir às comemorações do cinquentenário da cidade no próximo mês de Abril.




Numa situação destas, Arruda é verdadeiramente o rei do Carnaval ou, melhor dizendo, o bombo da festa. Muitas notas facsímile foram impressas para ornamentar os disfarces. Alguns sambam vestidos de prisioneiros homenageando o Governador, sempre com as notas a acompanhar, ao lado, é claro, da famosa socialite com quem é casado.



O nome de Arruda está impresso em t-shirts e faixas com os mais variados comentários. A corrupção e a luta contra ela é o grande tema do Carnaval de Brasília.



Desfilando na avenida, as freiras e anjas são mais sexies do que habitualmente.


Domingo é dia de ir à missa, mesmo para um ateu (parte 4 de 4)

A etapa final da nossa visita dominical às igrejas de Brasília acabou na mais célebre de todas, a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como Catedral de Brasília, uma das grandes obras de Oscar Niemeyer, imponente e leve, com os seus 70 metros de diâmetro e os seus16 pilares hiperbólicos. É justo lembrar o responsável pelo cálculo desta magnífica estrutura, o engenheiro Joaquim Cardozo.

Porém, como acontece com o Palácio do Planalto, a Praça dos Três Poderes, o Teatro Nacional e outros pontos chave da capital, a Catedral está agora em obras, preparando-se para aparecer de cara lavada na festa do cinquentenário de Brasília no próximo dia 21 de Abril. Não era permitido o acesso.



Vendo a catedral assim toda embrulhada de branco, imaginamos que poderíamos estar perante mais uma instalação de Christo and Jeanne-Claude, aqueles artistas que embrulham edifícios, como fizeram, por exemplo com o Bundestag em Berlim.



Jeanne-Claude, companheira de toda a vida de Christo, morreu no passado mês de Novembro. Eles tinham feito um pacto: quando algum deles morresse, o outro garantiria que a obra dos dois continuava. Este embrulho da bela Catedral de Niemeyer poderia muito bem ser o mais belo presente póstumo de Christo à sua Jeanne. Encaremos o contratempo das obras desta maneira para sentirmos que estamos a ver a Catedral como ela nunca foi vista antes, toda vestida de branco, elegante como sempre.



Na praça de acesso ao templo, encontram-se quatro esculturas em bronze com três metros de altura, do escultor Dante Croce, representando os evangelistas.



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De qualquer modo, aqui fica o registo da Catedral em fotos de arquivo.



O enorme vitral da cobertura da nave criado por Marianne Peretti e as esculturas suspensas de três anjos de Alfredo Ceschiatti, com a colaboração de Dante Croce.





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Terminada a via sacra, é tempo de descanso, que amanhã é Carnaval e a outras divindades se deve prestar o culto.

Domingo é dia de ir à missa, mesmo para um ateu (parte 3 de 4)



Continuamos esta nossa via sacra dominical visitando o Templo da Boa Vontade, que corresponde a um conceito diferente dos templos anteriores: este visa promover o ecumenismo sem restrições, é um templo que a Legião da Boa Vontade pretende destinado a todos os credos e todas as filosofias, estando aberto 24 horas por dia.



A parte do complexo que constitui o templo propriamente dito é constituída por uma pirâmide com 7 faces, com 21 (7x3) metros de altura e 28 (7x4) metros de largura na base. No topo da pirâmide encontra-se um enorme cristal.




O piso do templo está pavimentado em forma de espiral dupla, a branco e preto, sendo previsto que os visitantes percorram delcalços a faixa preta no sentido contrário aos ponteiros do relógio, para chegarem ao centro e receberem a luz do cristal, regressando então no sentido inverso, conforme os ponteiros do relógio, já iluminados, percorrendo a faixa branca.



O conjunto inclui também salões, memoriais, jardins, auditório (o Parlamento Mundial da Fraternidade Ecuménica – Parlamundi da LBV) 





e uma galeria de arte, de onde destacamos esta “anja” grávida voadora.







Uma série de retratos conjuntos de personalidades mundiais atesta o ecumenismo da LBV. Nele se pode encontrar de tudo, de Cristo a Marx e John Lennon. Neste quadro, para além dos fundadores e projectistas de Brasília, temos, entre outros, a Madre Teresa e o Infante D. Henrique.



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Perto deste complexo da LBV situa-se o cemitério da Asa Sul da cidade, chamado Campo da Esperança, com uma implantação em forma de caracol. No seu projecto, Lúcio Costa o pretendia os cemitérios com "chão de grama e convenientemente arborizados, com sepulturas rasas e lápides singelas, à maneira inglesa, tudo desprovido de qualquer ostentação", muito diferente da nossa tradição, onde abundam as capelas e os túmulos mais figurativos.









Domingo é dia de ir à missa, mesmo para um ateu (parte 2 de 4)



Seguidamente fomos no Santuário Dom Bosco, uma admirável obra dos arquitectos Betinho Naves e Richard Lima.



Na grande nave sem pilares, uma estrutura de betão capaz de encantar qualquer engenheiro (veja também, mais abaixo, o pormenor na foto do lustre), uma extensão de 2200 m2 de vitrais, obra de Cláudio Naves, coam a luz através de 12 matizes de azul e, nos quatro cantos, em tons de lilás/roxo, o que dá ao local uma atmosfera absolutamente única.







Um confessionário transparente, apenas uma caixa fechada de vidro com duas cadeiras, eis um conceito muito afastado dos confessionários tradicionais, onde os intervenientes são supostos não se olharem cara a cara.



A luz azulada é complementada por um enorme lustre formado por 7400 peças de vidro de Murano, obra de Alvimar Moreira.



Na missa, o bispo e demais sacerdotes celebram em torno de um altar constituído por um bloco maciço de mármore rosa.





Nestas portas da fachada principal, de autoria de Cerri, um alto relevo de bronze representa o sonho de Dom Bosco que, em 1883, relatou que tinha sonhado que: “Entre os paralelos de 15º e 20º (onde hoje está Brasília) havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente, uma voz assim falou: ...quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível...” Este sonho foi mais tarde interpretado como uma premonição de Brasília e este italiano do Piemonte é hoje considerado o padroeiro da cidade.




Domingo é dia de ir à missa, mesmo para um ateu (parte 1 de 4) - Sunday is time to go to the church, even for an atheist



Quem gosta de arquitectura e admira belos edifícios, tem sempre um interesse especial por igrejas, que são muitas vezes exemplares dos mais interessantes em terras grandes ou pequenas. E é quando estão a ser utilizados que podemos sentir mais profundamente a qualidade dos projectos.

Em Brasília, tudo isto ganha uma dimensão especial. Não havendo nenhuma construção com mais de cinquenta anos, o que se pode apreciar é a forma moderna de projectar para a função religiosa. E, como muitas vezes acontece, são arquitectos ateus que melhor souberam dar uma resposta à criação de espaços plenos de espiritualidade.

Começamos pelo princípio, pela primeira igreja (na verdade, uma igrejinha) construída em Brasília, integrada num quarteirão (uma superquadra, como lhe chamou Lúcio Costa no plano piloto) e prevista como igreja de bairro, para servir apenas os habitantes dos prédios envolventes.

É a igrejinha de N. Sra. de Fátima, projectada por Oscar Niemeyer, inspirada numa certa forma de chapéu de freira. 




A igreja é tão pequena que a maior parte dos fiéis assiste à missa no exterior.


E há uma senhora, de fato branco, que vem distribuir a comunhão pelo jardim.




Tem belos azulejos de Athos Bulcão que alternam o Espírito Santo com a estrela da Natividade.






A Europa e as agências de rating















Publicado em: O Gaiense

As agências de rating ou agências de notação de crédito (ANC) são empresas que atribuem uma classificação (uma nota) ao risco associado a um produto financeiro ou a uma entidade emissora, que pode ser um Estado.

As ANC têm uma importantíssima quota de responsabilidade na crise actual. Por incompetência ou por prosseguirem interesses incompatíveis com a deontologia da sua profissão, atribuíram notações elevadas aos produtos financeiros que hoje são considerados lixo tóxico e que produziram falências em cadeia, desemprego massivo e perdas astronómicas em todo o mundo. Como é possível voltar a aceitar que estas mesmas notações falhadas continuem a ditar as regras nos mercados financeiros globais?

Quando, em 2001, a gigantesca Enron faliu por fraude (apesar de classificada pela revista Fortune em seis anos consecutivos como "America's Most Innovative Company") tinha as suas contas devidamente certificadas pela Arthur Andersen, uma respeitada empresa centenária, com 113 mil funcionários. Como consequência, a Arthur Andersen perdeu toda a credibilidade e desapareceu do mercado. Estranhamente, o mesmo não se passou com as agências de rating que avalizaram as fraudes que conduziram à crise actual e que continuam a emitir duvidosos pareceres sobre tudo e todos, incluindo Portugal.

Segundo um Regulamento recentemente aprovado na UE, uma das obrigações das ANC é prestar informação pública sobre as metodologias, os modelos e os pressupostos que utilizam para emitir os seus pareceres. Quando o Orçamento de Estado foi entregue às 22h20m a Jaime Gama e na manhã seguinte havia uma ANC que tinha alterado para pior a notação do Estado português, seria adequado confrontar essa agência com a obrigação de prestar contas sobre a forma como elaborou o seu parecer.

Diz também o Regulamento que tem de ser possível compreender e quantificar o desempenho passado de cada categoria de notação. Mas as ANC, as americanas sobretudo, não poderiam sobreviver com essa avaliação. Talvez por isso a UE sugira a alternativa de "criação de uma agência de notação de risco pública comunitária" europeia, independente e credível.

Voto SWIFT: Parlamento Europeu rejeita chantagem de Hillary Clinton e do governo espanhol





SWIFT rejection - a coup for democracy in the EU

Speaking following the SWIFT vote in the European Parliament, GUE/NGL President Lothar Bisky welcomed the rejection of the EU-US data transfer agreement as a coup for more democratic policy making.

"The protests of concerned citizens have paid off. Popular and justified opposition has transformed into a European Parliamentary majority against a dangerous policy. The Parliament has demonstrated an understanding of its democratic responsibilities by refusing to allow big brother's supporters to bully it into compliance".

Vote result: 378 in favour of Hennis-Plasschaert report (to reject SWIFT agreement), 196 against



Rejet de SWIFT - une victoire pour la démocratie dans l'UE

S'exprimant après le vote de SWIFT au Parlement européen, le président du GUE/NGL Lothar Bisky a salué le rejet de l'accord de transfert de données entre l'Union européenne et les États-Unis comme une victoire pour des politiques décisionnelles plus démocratiques.
«La protestation des citoyens concernés a porté ses fruits. L'opposition populaire et justifiée s'est transformée en une majorité parlementaire européenne contre une politique dangereuse. Le Parlement a démontré une compréhension de ses responsabilités démocratiques en refusant de permettre aux partisans de Big Brother de le malmener en toute complaisance.

Hillary Clinton pressiona eurodeputados que vão votar sobre SWIFT

Na sequência de post anterior, sobre a votação no Parlamento Europeu contra o acordo com os EUA sobre o acesso a dados de transacções bancárias europeias, aqui fica a carta que Hillary Clinton enviou ao presidente do Parlamento Europeu:

Um parlamentar que não “parla”



















Publicado em: O Gaiense, 6 de Fevereiro de 2010

Há muitos deputados que não conseguem ouvir, nem dizem nada que se ouça. Não é o caso a que hoje me refiro. Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu foi eleito o primeiro eurodeputado que não ouve nem fala porque não pode.

Ádám Kósa é um advogado que se candidatou às eleições não como político partidário, mas como líder de uma ONG, a Associação de Surdos e Pessoas com Deficiência Auditiva da Hungria. Este deputado de 34 anos, nascido numa família de surdos-mudos, pretende utilizar as suas características pessoais para fazer um trabalho em prol dos direitos dos cidadãos portadores de deficiência, tanto no plano legal como da prática social.

No PE comunica na sua língua materna, a língua gestual húngara, que um intérprete traduz para uma língua oral, de forma a entrar na cadeia geral de interpretação em todas as línguas oficiais.

As instalações do PE estão também adaptadas para a participação de deputados com deficiências locomotoras e estão agora em curso modificações para melhorar a circulação de pessoas com deficiência visual.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas prevê, no seu art.º 29.º, que os Estados devem assegurar às pessoas com deficiência a possibilidade de participação plena e activa na vida política, não só votando, como podendo ser eleitas, devendo ser-lhes asseguradas todas as condições para o exercício do mandato.

Há boas leis nesta matéria. O problema, no nosso país como em muitos outros, não é a falta de legislação e de disposições regulamentares, mas sim o desprezo pela sua aplicação, que faz com que inúmeras instituições públicas e privadas se tornem, na prática, inacessíveis a muitos dos nossos concidadãos.

Competirá a estes, isoladamente e através das suas associações, obrigar a que se cumpram as leis. Se a ASAE pode fechar uma tasca em que os cabos das facas não têm as cores obrigatórias até que as normas estejam todas cumpridas, porque não há-de poder fechar-se uma Repartição de Finanças ou uma Câmara Municipal que não cumpra todos os requisitos legais de acesso a deficientes, até que as irregularidades tenham sido corrigidas?

Eurodeputados rejeitam ‘acordo SWIFT’

















Depois da decisão abaixo mencionada de rejeitar o acordo para entrega de informação sobre as transações bancárias europeias aos EUA, intensificaram-se as pressões directas da Embaixada e da Administração dos EUA e mesmo de Hillary Clinton junto de eurodeputados para que adiem a votação e alterem a sua posição. Um assunto que vai aquecer nas próximas semanas.

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Comunicado enviado por João Macdonald, assessor de imprensa do Bloco no Parlamento Europeu (4 de Fevereiro de 2010):

O acordo interino da UE sobre a entrega de informação sobre dados bancários aos EUA através da rede SWIFT foi hoje rejeitado em Bruxelas por uma maioria de eurodeputados da comissão parlamentar de Liberdades e Direitos Civis. Rui Tavares (ind./BE) sublinhou que a luta contra o terrorismo não pode violar direitos fundamentais.

"A comissão LIBE enviou uma mensagem muito séria e forte hoje: a luta contra o terrorismo não pode justificar a violação dos direitos fundamentais e da protecção de dados pessoais e tem que obedecer aos princípios da necessidade e da proporcionalidade", declarou o eurodeputado Rui Tavares (ind./BE) após o resultado da votação de hoje em Bruxelas na Comissão das Liberdades e Direitos Civis (LIBE) contra o chamado “acordo SWIFT” entre a União Europeia (UE) e os EUA.

Caso a assembleia plenária confirme esta posição, o Parlamento Europeu (PE) recusará o consentimento a um acordo da UE sobre transferências de dados bancários aos EUA através da rede SWIFT. O acordo será submetido a votação plenária, em Estrasburgo, a 11 de Fevereiro. A recusa de aprovação do PE torna o acordo legalmente nulo.

O relatório da comissão LIBE, aprovado com 29 votos a favor, 23 contra e uma abstenção, solicita também à Comissão Europeia e ao Conselho Europeu para iniciar o trabalho de preparação de um acordo de longo prazo com o EUA sobre esta questão, reiterando que qualquer novo acordo deve cumprir com as exigências do Tratado de Lisboa e em particular a Carta dos Direitos Fundamentais.

"Além disso acordos como este não podem ser negociados e concluídos sem controlo democrático adequado", acrescentou Rui Tavares.

"O PE pediu repetidamente informação e participação no processo, mas o Conselho não deu ouvidos. O ‘acordo rápido’, tal como foi negociado, contém vários erros perigosos, tais como permitir a criação de um banco de dados enorme de dados europeia sobre o solo da UE com informações sobre a vasta maioria dos cidadãos que não são nem terroristas nem criminosos.”

Em Janeiro passado, numa intervenção na sessão plenária do PE em Estrasburgo, o eurodeputado já tinha dito àquela câmara ser “inaceitável que se afirme que este é um acordo provisório, quando os dados recolhidos durante os próximos nove meses ficarão durante cinco anos nas mãos da Administração americana. Não só de uma Administração Obama, mas talvez de uma Administração Sarah Palin”.

“Qual é o cidadão europeu que se sente seguro? Não nos deixam outra hipótese senão rejeitar este acordo, como é evidente, e não nos facilitaram a vida.”

“No entanto, nós, ao rejeitá-lo, faremos um favor à Comissão, porque entram duas novas comissárias, a Srª [Cecilia] Malmström [Assuntos Internos] e a Srª [Viviane] Reding [Justiça, Direitos Fundamentais e Cidadania], que certamente saberão negociar um melhor acordo a partir do zero e que sei estão desejosas de o fazer.”













Uma notícia do Parlamento Europeu (de Julho de 2006):

Intercepção dos dados relativos às transferências bancárias do sistema SWIFT pelos serviços secretos dos EUA

O Parlamento Europeu aprovou hoje uma resolução comum dos grupos PSE, ALDE, Verdes/ALE e GUE/NGL sobre a intercepção dos dados relativos às transferências bancárias do sistema SWIFT pelos serviços secretos dos EUA, exigindo que a Comissão Europeia, o Conselho e o Banco Central Europeu expliquem cabalmente em que medida conheciam o acordo secreto entre a SWIFT e o Governo dos EUA.

Os meios de comunicação social europeus e dos EUA revelaram recentemente a existência do Programa de Vigilância do Financiamento do Terrorismo, criado pelo Governo dos EUA, que permitiu às autoridades dos EUA aceder a todos os dados financeiros armazenados pela SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunications), que é uma cooperativa detida pelo próprio sector com sede na Bélgica, formada por mais de 8000 bancos comerciais e instituições de 200 países, incluindo alguns bancos centrais.

Na resolução comum hoje aprovada, os deputados manifestam a sua séria preocupação perante a criação de um clima de degradação do respeito pela protecção da privacidade e dos dados (§ 1) e exigem que a Comissão Europeia, o Conselho e o Banco Central Europeu expliquem cabalmente em que medida conheciam o acordo secreto entre a SWIFT e o Governo dos EUA (§ 5).

Os deputados desaprovam "energicamente quaisquer operações secretas no território da UE que afectem a privacidade dos cidadãos da UE", manifestam a sua profunda preocupação pelo facto de estas operações se realizarem sem que os cidadãos da Europa e a sua representação parlamentar sejam informados e instam os Estados Unidos e os seus serviços de informações e de segurança a agirem dentro de um espírito de boa cooperação e a notificarem os seus aliados de quaisquer operações de segurança que pretendem executar no território da UE (§ 13).

Todas as transferências de dados pessoais para países terceiros estão sujeitas à legislação relativa à protecção de dados a nível nacional e europeu, que prevê que qualquer transferência deve ser autorizada por uma autoridade judicial e que qualquer derrogação deste princípio deve ser proporcional e fundada numa lei ou num acordo internacional.
O Parlamento Europeu manifesta a sua "grande decepção com a falta de vontade do Conselho em ultrapassar a situação legislativa actual" (§ 11), em que, quer no primeiro quer no terceiro pilar, são aplicáveis dois quadros processuais diferentes para a protecção dos direitos fundamentais, reafirmando a sua exigência de abolir este quadro duplo, recorrendo à "ponte" prevista no artigo 42° do Tratado UE.






O que é o sistema SWIFT?

The Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication ("SWIFT") operates a worldwide financial messaging network which exchanges messages between banks and other financial institutions. SWIFT also markets software and services to financial institutions, much of it for use on the SWIFTNet Network, and ISO 9362 bank identifier codes (BICs) are popularly known as "SWIFT codes".
The majority of international interbank messages use the SWIFT network. As of November 2008, SWIFT linked 8,740 financial institutions in 209 countries. SWIFT transports financial messages in a highly secure way, but does not hold accounts for its members and does not perform any form of clearing or settlement.

SWIFT is a cooperative society under Belgian law and it is owned by its member financial institutions. SWIFT has offices around the world. SWIFT headquarters are located in La Hulpe, Belgium, near Brussels. An average of 2.4 million messages, with aggregate value of $2 trillion, were processed by SWIFT per day in 1995.

It was founded in Brussels in 1973, supported by 239 banks in 15 countries. It started to establish common standards for financial transactions and a shared data processing system and worldwide communications network. Fundamental operating procedures, rules for liability etc., were established in 1975 and the first message was sent in 1977.