40 anos após o assassinato de Ribeiro Santos


Texto publicado no dossier do esquerda.net sobre os 40 anos do assassinato de Ribeiro Santos




História de um comunicado
(Acerca do assassinato de Ribeiro Santos, publicado na Academia do Porto em 1972)

Ribeiro Santos foi assassinado na tarde de quinta-feira, dia 12 de Outubro de 1972. Quando soubemos no Porto do acontecido, convocámos de emergência uma reunião plenária dos activistas da nossa corrente estudantil.
A reunião decorreu no TUP - Teatro Universitário do Porto, na altura localizado na rua do Carmo, com entrada por um portão entre a GNR e a então Faculdade de Letras. No TUP, organismo com grandes tradições na academia, tinha ingressado uma nova geração de estudantes revolucionários, que muito se dedicaram ao teatro, que começaram a apresentar peças muito politizadas, de autores progressistas, trabalhadas com encenadores de vanguarda. Como vários de nós éramos da Direcção do TUP, um organismo oficial da Universidade, as suas instalações passaram então a funcionar também como uma base logística para os activistas mais à esquerda do movimento estudantil, à falta de instalações associativas e perante a proibição imposta pelas autoridades académicas de utilizarmos as salas das faculdades para nos reunirmos.
A situação era grave e o ambiente da reunião extremamente tenso. Analisámos as informações disponíveis e redigimos um curto comunicado aos estudantes de toda a academia, de teor bastante radical, como o momento exigia. Acordado o texto, faltava decidir como deveria ser assinado e que título lhe havíamos de dar.
Quanto à assinatura, optámos por escrever “A Direcção da Associação de Ciências do Porto e outros estudantes presentes em reunião aberta”. A assinatura era arriscada. Num dos slogans que encerravam o texto dizíamos “Façamos frente à violência da burguesia!” e, em pleno fascismo, num momento em que as tensões estavam ao rubro e a repressão era brutal, um apelo deste teor assinado por uma estrutura legal, uma direcção associativa cujos nomes eram conhecidos das autoridades, era uma aposta forte no confronto.
Mas aceitámos sem hesitar, porque a Associação de Ciências era, na altura, a única estrutura associativa do Porto dirigida pela esquerda revolucionária e, por isso, era um ponto de apoio precioso para a luta. As Associações de Estudantes do Porto tinham sido, até então, dirigidas ou por gente de direita e estudantes “apolíticos”, cujas festas, praxes e irreverências juvenis tanto agradavam ao regime fascista, ou conquistadas por listas mais ou menos afectas ao PCP, que faziam um trabalho meritório de contestação, de luta contra a repressão e de mobilização dos estudantes, mas que nós considerávamos então demasiado chato, moderado e reformista, não correspondendo à vontade de luta dos estudantes e à necessidade premente de acção pelo derrube do governo e pelo fim da ditadura. Tinha sido precisamente no início desse mesmo ano de 1972 que, na Faculdade de Ciências, em que estavam integrados também os dois primeiros anos dos cursos de Engenharia, numas eleições super renhidas entre uma lista de esquerda revolucionária e uma lista reformista afecta ao PCP, a lista “Por uma Universidade Popular” venceu, por apenas 2 votos, a tradicional lista “Por um movimento associativo de massas”, dando lugar à primeira Direcção Associativa da nossa corrente na história da academia (depois desta primeira vitória em 1972, outras se seguiram, resultando em que, no 25 de Abril, as correntes à esquerda do PCP já dirigiam de facto o movimento estudantil do Porto).
Decidida então a assinatura do comunicado, precisávamos de um título. Eu fiz uma proposta.
Por aquela época, ouvia repetidamente, num gravador de fita, o registo de um espectáculo integrado nas comemorações do centenário da Comuna de Paris de 1871, realizado em França, no ano anterior. Nessa gravação, o José Mário Branco lia um famoso poema de Théodore Six, operário de tapeçaria, revolucionário já nas barricadas de 1848, que, deportado, tinha escrito um poema intitulado “Du peuple au peuple”, que foi publicado em forma de cartaz para ser afixado nas ruas de Paris na véspera de estalar a revolta da Comuna. Tantas vezes ouvi essa fita, que acabei por saber de cor (até hoje) esta última parte do poema:
J'ai publié ceci pour pouvoir dire: à tous par tous.
Peuple, médite et souviens-toi
Que tu es force et nombre,
Mais que
Tant que tu seras force et nombre sans idée
Tu ne seras qu'une bête de somme.
J'ai publié ceci pour te dire, peuple,
Que ton émancipation réside dans ta solidarité;
Pour te dire que l'heure la plus sombre
Est celle qui précède l'aurore.
(Publiquei isto para poder dizer: todos por todos.
Povo, medita e lembra-te
Que tu és força e número,
Mas que
Enquanto fores força e número sem ideias
Serás apenas uma besta de carga.
Publiquei isto para te dizer, povo,
Que a tua emancipação reside na tua solidariedade;
Para te dizer que a hora mais sombria
É a que precede a aurora.)

Não seria aquela hora, para nós estudantes, “a hora mais sombria”? A PIDE tinha assassinado um estudante a tiro dentro de uma Faculdade e isso não tinha acontecido nunca (a última morte de um estudante pela polícia, ocorrida no Porto, datava já de 28 de Abril de 1931, dia em que uma intervenção policial, ocorrida precisamente na parte da frente do edifício em que estávamos naquele momento reunidos, causou a morte ao estudante João Martins Branco).
A hora era, sem dúvida, sombria e eu, que adorava aqueles dois últimos versos do poema da Comuna, resolvi propô-los como título do nosso comunicado: “A hora mais sombria é a que precede a aurora”.
Gerou-se acesa discussão. Entre outros, o José Pacheco Pereira (se a memória não me atraiçoa), demoliu completamente a minha proposta com um conjunto de argumentos racionais inatacáveis: que o título era triunfalista, que criava ilusões nas massas de que o fim do fascismo (a aurora) vinha já aí, que não havia qualquer indicador sério que o fizesse prever, que não ajudava a preparar o povo para aguentar a luta dura e prolongada que ainda seria necessária, no fundo, que o título era contraditório com o próprio texto do comunicado. Racionalmente, ele parecia estar certo e eu dei-lhe razão em quase tudo. Apesar disso, decidi insistir na minha e manter a proposta. Foi portanto submetida a votação, naquele tenso plenário de activistas. E, surpreendentemente, ganhou. Acabada a reunião, escrevi o título à mão no stencil, ligamos o velho policopiador Gestetner e começamos a imprimir milhares de panflos noticiando - sempre em maiúsculas para acentuar a gravidade da situação - o assassinato de Ribeiro Santos.
No comunicado convocávamos um meeting para o átrio da Faculdade de Ciências, no edifício dos Leões, para a terça-feira, dia 17. Tinha-se conseguido um acordo de todas as correntes políticas e de todas as estruturas sobre a convocação deste meeting.
O meeting realizou-se com algumas centenas de estudantes, mas viria a correr menos bem, não só devido às ameaças do reitor e à repressão policial, mas também devido a alguma confusão lançada entre os estudantes. Mas isso são questões da história do movimento estudantil e da luta entre as diferentes correntes políticas que actuavam na altura, questões que podem com proveito ser revisitadas noutro âmbito, mas que não cabem neste artigo. Saídos do edifício dos Leões, partimos em manifestação pela rua de Cedofeita, onde nos chocámos com a polícia que vinha ao nosso encontro a partir da esquadra situada mais à frente naquela rua. Foi um dia importante para a nossa luta.

Hoje, sabemos que, felizmente, a “aurora” afinal sempre veio a seguir àquela hora mais sombria, dezoito meses depois. Os estudantes presentes naquela reunião no TUP, os que aprovaram o título do comunicado, talvez o tenham feito seduzidos pela qualidade literária da frase, bastante superior às alternativas, das quais provavelmente já ninguém se lembra, e isso já seria interessante e digno de nota. Mas, provavelmente, o que nos levou a escolher um título tão “triunfalista” terá sido mesmo o nosso sentimento da urgência daquele triunfo, a firme convicção de que não era possível mais aguentar a forma como o povo era tratado por aqueles governantes, de que algo tinha que ser feito, que o governo estava a chegar ao fim. Como, de facto, aconteceu.
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Escrevo esta nota em Outubro de 2012, num momento em que os portugueses estão a viver uma hora sombria, provavelmente a hora mais sombria deste Portugal democrático. Não seria altura de nos reunirmos para escolhermos o título de um novo comunicado ao país? É que eu tenho uma proposta a apresentar. Pode ser que dê sorte.

Conversas com Bruxelas




Publicado em: O Gaiense, 6 de Outubro de 2012

Pela segunda vez na história recente, o país se agita porque um governo negoceia com Bruxelas medidas a aplicar em Portugal antes de as anunciar, discutir e negociar em Portugal, directamente com aqueles que vão ser objecto, ou vítimas (ou beneficiários, na opinião dos governantes) dessas medidas. Quando José Sócrates, há dezoito meses, fez o mesmo, a propósito do PEC IV, que Passos Coelho fez agora, este considerou uma atitude inadmissível. Hoje, é Seguro a fazer o papel de virgem ofendida.

Se estas medidas, para entrarem em vigor, têm de ser aprovadas pelos parceiros europeus e têm também de ter aprovação em Portugal, fará alguma diferença a ordem pela qual as negociações se processam? Poder-se-á criticar os governos Sócrates e Coelho por terem começado as conversas por Bruxelas?

De facto, a ordem faz toda a diferença. Chegar a acordo em Bruxelas e depois promover a aprovação das medidas em Portugal é actuar como representante dos interesses e das políticas de Bruxelas junto dos portugueses. Discutir e aprovar as medidas primeiro em Portugal e depois tentar ganhar para elas o apoio de Bruxelas e dos parceiros europeus, seria actuar na Europa como representante de Portugal. Que tipo de governantes preferimos ter? 

Memória de dois grandes homens do Porto


Alfredo Ribeiro dos Santos

O Porto e o país perderam dois homens que são símbolos proeminentes da riqueza cívica e intelectual portuense.

Muito se tem publicado sobre a rica biografia científica, cultural e política destes dois médicos, cidadãos no pleno sentido da palavra.

Para mim, foram dois amigos mais velhos, que me habituei a apreciar e respeitar. Permitam-me que recorde aqui duas associações que criaram e em que tive o prazer e a honra de colaborar com eles.

Com Alfredo Ribeiro dos Santos, participei na fundação da associação "A Arte e a Vida", que constituímos sob a sua liderança com o objectivo de homenagear mestre Guilherme Camarinha, logo após a morte deste em 1994. Reuníamos regularmente no Ateneu e deste trabalho resultou, oito anos depois, em 2002, a edição de um livro que recolhe o fundamental da sua extensa obra no campo da pintura e sobretudo da tapeçaria e uma grande exposição retrospectiva no Museu Nacional de Soares dos Reis.

Com Nuno Grande, e após a campanha presidencial de Maria de Lurdes Pintasilgo de 1986, que teve Nuno Grande como mandatário nacional, participei na fundação da "APRIL - Associação Política Regional e de Intervenção Local", da qual Nuno Grande foi o presidente e principal animador durante muitos anos de intensa actividade. O que representou esta associação no panorama difícil da política portuense e portuguesa durante a década do cavaquismo triunfante está ainda longe de estar avaliado e devidamente valorizado. Nuno Grande foi, para muitos, uma figura de referência da esquerda alternativa que manteve viva a resistência às políticas e à cultura da direita que então varreram o país.



Nuno Grande

Aqui está a lista de evasores gregos que tem sido noticiada

A lista completa é de 1991 pessoas. Entretanto, tem sido divulgada esta lista de 36:

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List contains the names of 36 former and sitting MPs and ministers, mainly from New Democracy and Pasok

A website has published the names of 36 current and former politicians and ministers being audited or investigated by the Financial and Economic Crime Unit (SDOE) for financial irregularities and suspicious acquisition of wealth.

The list was published on Thursday on the zougla.gr website.

The publication of the list has generated considerable controversy as none of those included on it are guilty of any wrongdoing and unless convicted cannot be accused of unlawful activity.

Financial prosecutor Grigoris Peponis on Friday ordered an urgent probe into the leak of a list, as the list of names appeared Friday on a news blog on the internet.

He assigned prosecutor Katerina Antoniou to conduct a probe into who leaked the document.

In the meantime, Supreme Court chief prosecutor Ioannis Tentes ordered prosecutor Eleni Raikou to conduct an urgent preliminary investigation into the continued leaks of SDOE material.


The list, which also includes New Democracy's Karmanlis Foundation research institute, is as follows:

Nikoloas Andrianopoulos Former finance minister general secretary.

Ioannis Anthopoulos (Pasok) Former deputy education minister. The investigation began in April 2012 and concerns his involvement as legal counsel to a number of companies which the SDOE were auditing. A request has been made to open his bank accounts.

Dimitris Apostolakis (Pasok) Former defence minister under Kostas Simitis.

Fotis Arvanitis (Pasok) Former MP for Fokida.

Antonis Bezas (ND) Former MP for Thesprotia (2000–2009). SDOE audit following complaints.

Marina Chrysoveloni (Independent Greeks) MP for Magnesia. The SDOE in Thessaly is carrying out an audit.

Panayiotis Fasoulas (Pasok) Former MP and mayor of Piraeus. Audit started after SDOE received complaints.

Filippos Fountis (Ecogreens) Parliamentary candidate in the 2012 elections. The SDOE in Thessaly began an audit on 23 April 2012 and is currently writing the report.

Apostolos Fotiadis (Pasok) Former deputy finance minister. Investigation follows a complaint of illegal enrichment. An audit of his income and expenditure has been made for the years 2000-2012 and on the properties he has declared in his tax return. A request has been made for bank account data.

Michalis Halkidis (ND) Former MP for Imathia and former mayor of Meliki. Audit on the basis of an allegation of illegal enrichment.

Nikitas Kaklamanis (ND) Former mayor of Athens and current MP. The period being audited concerns his time as mayor and is as a result of a complaint received by the SDOE in June 2012 concerning Athens municipal radio (98.4 FM), declaration of income statements and illegal deposits abroad. The audit has not begun.

Panos Kammenos (former ND, now Independent Greeks leader) Under examination for the period he was New Democracy MP. The SDOE will open his bank accounts after it has received the relevant order from prosecutors.

Michalis Karchimakis (Pasok) Former Pasok national council secretary. The SDOE is acting on an anonymous complaint alleging illegal enrichment on his part and that he owns three hotels in Ierapetra, which may not be in his name.

Nikos Konstantopoulos (Synaspismos) Former leader of Synaspismos (Left Coalition), which is now the core element in Syriza (Radical Left Coalition).

Michalis Liapis (New Democracy) Former transport and culture minister. Being audited on foot of a complaint about illegal enrichment.

Konstantinos Liaskas Former public works minister (1989-90) in Xenophon Zolotas' coalition government.

Tasos Mandelis (Pasok) Former transport and communications minister. The SDOE is carrying out a tax audit and bank account inspection in relation to the Siemens bribery scandal.

Petros Mantouvalos (ND) Lawyer and former MP for Piraeus (2000–2007). Being audited on the basis of an allegation of illegal enrichment.

Evangelos Meimarakis (ND) Current parliamentary speaker. SDOE audit on the strength of complaints received.

Thanasis Nakos (ND) Deputy parliamentary speaker. The SDOE investigation began on 15 March 2012 and is at the data-collection stage.

Yiorgos Orfanos (ND) Former MP for Thessaloniki. Audit relates to his time as deputy sports minister (2004-2007).

Fevronia Patrianakou (ND) MP for Lakonia. Subject of an audit on the basis of a complaint received by the Inspectorate for the Control of Public Administration(SEEDD).The banks have been requested to provide her bank account data.

Yiannos Papantoniou (Pasok) Former finance and defence minister. His wife is also being audited. The investigation, which began on the orders of a prosecutor, is awaiting account data from the banks.
Yiorgos Patoulis Mayor of Marousi. Under audit on the basis of allegations of illegal enrichment.

Ioannis Sbokos (Pasok) Former MP and general secretary at the defence ministry. Investigation on the basis of a prosecutor's order.

Aris Spiliotopoulos (ND) Former education ministry and current MP. Audit ordered after an anonymous complaint was received. The tax office is seeking his source of income declaration and the banks have been asked to hand over bank account data.

Spilios Spiliotopoulos (ND) Former defence minister (2004–2006), the period for which he is being audited.

Nikos Tagaris (ND) Former prefect of Corinthia and current MP for the same area. Audit launched on 14 October 2011 and the SDOE is currently collecting data from banks.

Elpida Tsouri (Pasok) Former MP and deputy minister of maritime affairs, Aegean and fisheries. Under investigation for her period as MP.

Akis Tsochatzopoulos (Pasok) Former defence minister. Currently on remand awaiting trial.

Leonidas Tzanis (Pasok) Former deputy interior minister. Controlled by SDOE Thessaloniki. Investigation launched on 31 May 2012 and the SDOE is currently collecting data from banks and analysing his source of income declaration.

Christos Verelis (Pasok) Former transport and communications minister. Audit underway after complaint was received.

Eliza Vozemberg (ND) Former MP for Athens A constituency.

Yiorgos Voulgarakis (ND) Former public order, culture and merchant marine minister. Investigation at the request (18 July 2012) of the financial prosecutor. The accounts of him and his wife are to be opened. Case at an early stage.

Alexandros Voulgaris (Pasok) Former MP for Magnesia. Under audit by the SDOE in Thessaly, which is currently collecting data.

Christos Zachopoulos Former general secretary of culture ministry under New Democracy.

Karamanlis Foundation Audit underway at New Democracy's research institute for mismanagement.

According to other reports, the SDOE is investigating four other politicial figures:

George Zanias Former caretaker finance minister.

Mariliza Xenoyiannakopoulou (Pasok) Former deputy foreign minister.

Yannis Maniatis (Pasok) Former deputy environment minister.

Spyros Travlos Former secretary general for armaments (2002) under Kostas Simitis.

Reaction

There has been strong reaction from some of those names appear on the lists.

Independent Greeks leader Panos Kammenos vigorously denied that he owns real estate in Galaxidi, noting that the properties being looked at by SDOE have been in his family "for decades". He said he hoped his name was on the list due to an oversight.

Christos Verelis said that these days " everyone seems to be hunting everyone".

Marina Chrysoveloni called for a speedy completion of the investigation of all the cases pending SDOE cases involving political figures.

In a letter to deputy finance minister responsible for the SDOE, George Mavraganis, former Athens mayor Nikitas Kaklamanis said that his name was contained in the list on the basis of "anonymous and totally unfounded charges".

He claimed that the officer of mayor had nothing to do with the financial management of Athens municipal radio, which was is governed by an interparty board of directors and chairman.

He demanded a full investigation into all the accusations in order to expose what he said was a campaign of slander against him. He added that he would take legal action based on the results. (Additional reporting AMNA)







Manif Paris 2012-09-30 contra o Tratado Orçamental

O nosso governo e uma maioria parlamentar fizeram de Portugal o primeiro país a ratificar este Tratado (os bons alunos que nos colocam na cauda da Europa). 
Nos países dos seus autores, Merkel e Sarkozy, ainda nem sequer foi aprovado.
O bloqueio do Tratado em França seria um contributo inestimável à luta dos portugueses contra as políticas de austeridade do governo e da troika.




















O partido que governa a Europa



Publicado em: O Gaiense, 29 de Setembro de 2012
Reúne-se este fim-de-semana em Bruxelas o congresso do Partido Socialista Europeu (PSE). Eu sei que, apesar da chamada de atenção para a importância dos partidos europeus feita por Durão Barroso no seu último discurso do estado da União, pouca gente está interessada em saber o que são e o que fazem os partidos europeus. Fazem mal. Muito se critica as políticas da União Europeia, e muito justamente, mas pouco se ouve criticar a organização política que as define e leva à prática: o Partido Popular Europeu (PPE), ao qual pertencem Angela Merkel, Sarkozy, Berlusconi, o primeiro-ministro grego Samaras, o espanhol Mariano Rajoy, Passos Coelho, Paulo Portas e ainda o presidente da Comissão, Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, entre outras tantas personalidade do mesmo calibre. A UE, como os países, é dirigida por líderes partidários. Actualmente, é dirigida pelo PPE.
É verdade que o PSE tem participado, como parceiro menor, na desgraçada política que trouxe a Europa ao estado em que está: é a ele que pertence o PASOK, que governou a Grécia e hoje participa na coligação governamental, o Tony Blair da guerra do Iraque, é a ele que pertencem Sócrates e Zapatero, que deixaram Portugal e Espanha no estado que se sabe. O PSE tem votado sempre, nas instituições europeias, a favor das grandes decisões políticas e Tratados propostos pelo PPE.
Muitas vezes se apresenta a UE como uma instituição distante, dirigida por obscuros tecnocratas não eleitos. É verdade que os há, que têm poder, que os lóbis financeiros e empresariais exercem por esta via uma influência importante em decisões pouco claras. Mas quem chefia directamente os tecnocratas e lhes dá poder são os políticos eleitos. É o PPE que hoje comanda toda a política europeia, são os políticos do PPE que estão a destruir a Europa. E não haverá saída para a crise sem que os europeus os retirem dos postos de comando.

Lisbon: demonstration against the troika - 29th September 2012




Manif contra a troika - 29 Setembro 2012 em Bruxelas

15th of September






Publicado em: O Gaiense, 22 de Setembro de 2012

As manifestações do último sábado tiveram enorme impacto na Europa, onde foram largamente noticiadas. Pareceu-me que houve sobretudo uma reação de surpresa. Então Portugal não era o caso de sucesso que apresentavam sempre em contraste com o falhanço da Grécia? O exemplo do consenso político e da paz social? Do povo que aceitava resignado as medidas da troika, liderado firmemente por uma turma governamental de bons alunos?

O surgimento inesperado do povo português na cena política gerou imediatas acções de solidariedade. No campo popular e nos meios de esquerda europeus foi saudado com entusiasmo. Fomos solicitados para explicar a situação política de Portugal e recebidos com ouvidos atentos, olhares de esperança e palavras de solidariedade.

Do outro lado, no mundo da troika e dos que impõem os planos de austeridade, houve também imediatas acções de solidariedade. O Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, encheu de elogios Paulo Portas por este ter ido à Alemanha garantir a continuação do programa, apesar dos protestos. E o Ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, de forma algo patética, disse que Vitor Gaspar é “o homem certo, no lugar certo, no momento certo” e que “as reformas se estão a levar a cabo mais rápido que o esperado”, com “resultados encorajadores”.

Está certo. Ser insultado nas ruas de Portugal e elogiado em Berlim, tal é o estado natural de quem aplica contra os portugueses as receitas da capital e do capital da Alemanha. Por razões semelhantes, Miguel de Vasconcelos foi um dia defenestrado neste país de brandos costumes.




O estado da União




Publicado em: O Gaiense, 15 de Agosto de 2012

Esta semana, no Parlamento Europeu, Durão Barroso fez um longo e inflamado discurso sobre o estado da União em que constatou a situação difícil que vive a Europa, onde “o sentimento de justeza e equidade entre Estados-Membros está a desgastar-se”, tornando os cidadãos frustrados e ansiosos. Considerando que enfrentamos uma verdadeira emergência social, com o aumento da pobreza e do desemprego em massa, afirmou que a desigualdade não é sustentável e que um eficaz sistema de protecção social não é um obstáculo à prosperidade.

Curiosas constatações, que não conseguimos vislumbrar nos programas da troika. No entanto, um dos três senhores que vem a Portugal impor receitas drásticas para o desemprego e a proteção social é funcionário da Comissão, actuando às ordens de Barroso. Por vezes esquecemos que a troika CE-BCE-FMI tem rosto, aliás tem três rostos, que não são aqueles semblantes carregados dos mudos funcionários de quinta linha que vemos na televisão, mas sim Durão Barroso, Mario Draghi e Christine Lagarde, três políticos de direita que sorriem para a fotografia e fazem belos discursos, enquanto impõem as mais violentas medidas.

A troika tem rosto, aliás tem três rostos

A solução política que Barroso preconizou para a UE poder enfrentar a grave situação que descreveu é “um quadro mais forte e mais vinculativo para a prática decisória nacional no âmbito das políticas económicas fundamentais”, a fim de colocar estas políticas fora do alcance de qualquer surpresa desagradável que o exercício da democracia (“a prática decisória nacional”) possa trazer. Eles sabem que a crescente reação das vítimas destes planos de extorsão (“as políticas económicas fundamentais”) pode, a qualquer momento, passar da fase do simples protesto à rejeição total e escolha de novos caminhos. Limitar a democracia seria o seu seguro de vida.

Troika tintas




Publicado em: O Gaiense, 8 de Setembro de 2012

No final da reunião dos parceiros sociais com a troika, em que estiveram em cima da mesa os péssimos resultados do programa no que respeita não só já ao desemprego, mas também relativamente ao próprio défice, que seria a razão de ser da austeridade, os representantes das associações patronais e sindicais mostraram-se estupefactos por terem ouvido os senhores da troika dizer que “este Memorando não é da troika, é de Portugal”.

Pelos vistos, eles teriam vindo a Portugal só para ajudar e o governo português teria comunicado que desejava levar à prática a imensa e detalhada série de medidas que hoje dolorosamente conhecemos. Curiosamente, o governo grego ter-lhes-ia proposto também uma lista de medidas e, coincidência das coincidências, eram exactamente as mesmas. A Irlanda não andou longe e o governo espanhol estará já a escrever um Memorando em tudo semelhante, que será de Espanha e não da troika. É mera coincidência também a semelhança com as medidas impostas pelo FMI noutras regiões do mundo, com os resultados igualmente brilhantes que a história registou.

Na Grécia, onde se vive o futuro de Portugal com um ano de antecedência, a troika propôs que se trabalhe ao sábado (com o mesmo ordenado), que um dia de descanso chega e sobra para gregos em crise. Quando vierem impor o mesmo aqui, dirão certamente que foi uma ideia de Portugal. E o domingo? A que propósito é que as pessoas hão-de manter o hábito tão pouco produtivo de parar o trabalho ao domingo? Preguiçosos, é o que são. Os padres que celebrem as missas em horário pós-laboral, que o povo tem mais é que trabalhar para pagar, no prazo marcado, os milhões e milhões de juros dos empréstimos da troika.

Revolução cidadã





Publicado em: O Gaiense, 1 de Setembro de 2012

Participei esta semana na universidade de verão do Front de Gauche, em França, e pude constatar que, apesar das dificuldades do povo francês não serem ainda comparáveis às nossas, o entusiasmo e a determinação para a luta contra as imposições de Bruxelas ou de Berlim parecem bastante superiores aos que se sentem por cá.

Os apelos dos dirigentes do Front de Gauche, com especial destaque para Jean-Luc Melenchon, ex-candidato presidencial, são para uma verdadeira revolução cidadã, uma insurreição cívica do tipo da que ocorreu em 2005, quando o povo francês se levantou contra o projecto de Tratado Constitucional Europeu, defendido pelo presidente, pelo parlamento, pelo governo, por todos os principais partidos, mas que acabou rejeitado pelo povo em referendo, na sequência da maior campanha de mobilização e informação alguma vez realizada sobre política europeia.

O povo francês é dos povos mais politizados do mundo e mostrou-o bem nessa altura pela participação massiva e interessada em milhares de debates, nas grandes cidades como nas pequenas aldeias. Que outro povo poderia ter feito de um longo e árido tratado jurídico o top de vendas nas livrarias, destronando o Harry Potter?

É este povo que é hoje chamado a derrotar o novo "tratado orçamental", que tenta constitucionalizar a proibição de qualquer política social anti-cíclica com a chamada regra de ouro do défice estrutural, o mesmo tratado que foi aprovado de forma vergonhosamente apressada pela nossa Assembleia da Republica mas que, apesar de imposto aos outros países por Merkel e Sarkozy, ainda não foi ratificado na França nem na Alemanha, o que torna a posição de Portugal ainda mais ridícula e vexante.
Mesmo a pedir uma revolução cidadã à portuguesa.


Universidade de Verão da FASE


Este fim de semana, em Paris, participamos, o Bloco e também o Syriza, na Universidade de Verão da FASE.
Existe um enorme interesse pela situação em Portugal e na Grécia e pelas alternativas apresentadas pela esquerda.

Com Stathis Kouvelakis do Syriza, Michel Rousseau da FASE e Elisabeth Gauthier da rede Transform.

Almost 100 workers treated as slaves in NATO’s construction site in Brussels




Lusa, the Portuguese news agency, reports that Construction Worker’s Trade Union of Portugal said this week that Portuguese workers in NATO construction in Brussels are working 14 hours per day, receiving 7 euros per hour, while their Belgium colleagues with the same professional category, working by their side, get 16 euros per hour.

In each sleeping space designed for 2  people have been installed 7 migrant workers, with no proper space to range their clothes, which have to be kept in the traveling bags they took from home.

Due to the crisis of the sector in Portugal, thousands of Portuguese construction workers are being brought to Belgium in buses by unregistered agents and offered as low-cost labour to local and multinational companies in charge of big construction works.