BiblioSol - uma proposta para o Orçamento Participativo de Portugal 2018



- Proposta apresentada no âmbito do Orçamento Participativo de Portugal 2018 (ver site opp.gov.pt) cuja votação pública decorrerá entre 11 de junho a 30 de setembro de 2018.

- No site do OPP encontra-se apenas um resumo deste projecto, devido à limitação de caracteres do formulário de candidatura (https://opp.gov.pt/p/706).

- Para informações complementares consulte também https://www.facebook.com/BiblioSol.RedeSolidariadeBibliotecasParticulares

- Pode fazer aqui o download da proposta em pdf: BiblioSol.pdf







BiblioSol
Rede solidária 
de bibliotecas particulares



A situação actual 

Existe em Portugal (como nos outros países) um gigantesco acervo bibliográfico nas inúmeras bibliotecas pessoais ou familiares - grandes ou pequenas - existentes nas casas das pessoas.

No entanto, esse valioso património cultural está claramente subaproveitado, servindo apenas os seus proprietários e uma ou outra pessoa das suas relações mais próximas.

Como todos sabemos, muitos desses livros serão usados uma ou duas vezes na vida, repousando décadas nas estantes sem serem abertos. 

No entanto, e muito compreensivelmente, quem ama os livros e preza a sua biblioteca, construída por veres ao longo de sucessivas gerações da família, terá muita dificuldade ou não pensará nunca em desfazer-se deles.


A ideia do projecto 

A ideia do projecto BiblioSol é transformar cada uma dessas bibliotecas particulares num instrumento útil para a comunidade, sem afectar o seu carácter privado e sem retirar o controle absoluto dos proprietários sobre as bibliotecas que têm em casa, mas promovendo a disponibilização voluntária dos títulos aí existentes para o público leitor em geral (ou, o que será mais provável, para os seus vizinhos mais ou menos próximos).


As etapas do processo

Pretende-se que o processo de concretização desta rede solidária de bibliotecas particulares seja o mais simples possível e os actuais sistemas de informação permitem obter a máxima eficácia com meios muito rudimentares.

Cada proprietário de livros (independentemente da sua quantidade) que aceite disponibilizar a sua biblioteca, ou parte dela, para os leitores interessados registar-se-ia na rede, indicando numa primeira fase o seu contacto - e-mail e/ou telefone - e a sua localização geográfica, seja o endereço exacto ou apenas a freguesia, se pretender manter a privacidade da sua morada. E daria um nome à biblioteca para referenciação, que pode ser um nome de fantasia ou simplesmente o nome do proprietário, da família ou do local onde se encontra. Os dados das bibliotecas da rede são então disponibilizados de forma aberta no site da BiblioSol a ser criado no âmbito deste projecto.

Cada leitor interessado inscrever-se-ia na rede como leitor, com identificação certificada, por razões de segurança.

A partir deste momento o sistema já pode começar a funcionar por pedidos específicos dos leitores, perguntando "quem tem o livro x?" aos proprietários em geral ou apenas aos da sua zona de residência, que responderiam e estabeleceriam o contacto com o leitor.

Mas o que se pretende realmente é que a rede permita uma pesquisa directa por autor, título, assunto ou outro item habitual das pesquisas bibliográficas. Para isso será necessário que os proprietários coloquem na rede estes dados, isto é, que tenham as suas bibliotecas devidamente catalogadas. Mas esta é uma tarefa de muito maior fôlego.

Para a levar a cabo será necessário que uma equipa central do projecto disponibilize no site o software adequado e um tutorial muito simples que ensine o processo de catalogação de acordo com as regras nacionais de classificação bibliográfica, para que os proprietários aí possam ir inserindo paulatinamente os dados dos seus livros.

Este processo de inserção na base de dados será voluntário e seguirá o ritmo que for possível para cada proprietário, não havendo qualquer obrigação quantitativa nesse sentido.


Possível extensão aos arquivos particulares

Tratamos aqui das bibliotecas, mas poderia ser estudada a viabilidade de vir a incluir no âmbito do projecto, eventualmente numa segunda fase, também uma base de dados para os materiais de arquivo que frequentemente convivem com os livros nessas bibliotecas particulares. Sejam arquivos de família - por vezes importantes para a história das localidades, da economia, das profissões ou dos costumes -, sejam outros arquivos temáticos de matérias de especial interesse para os proprietários. Muitas pessoas juntam papéis e outros materiais ao longo da vida e estes correm ainda mais riscos do que os livros de terem como destino o lixo ou a reciclagem, apesar de serem por vezes mais raros e importantes do que os livros.


Voluntários e outros apoios 

Uma linha de acção que pode ser explorada será a prestação de um apoio técnico domiciliário aos proprietários que, pela sua idade ou dificuldade em lidar com os sistemas informáticos, não consigam sozinhos proceder à catalogação e/ou indexação da sua biblioteca.

Este apoio pode ser dado por voluntários da rede ou também por pessoas subsidiadas por algum projecto que possa ser mobilizado para o efeito.


Vantagens directas para os leitores 

O benefício mais directo para os leitores é o acesso facilitado a uma enorme quantidade de livros, sobretudo um possível acesso com muito maior proximidade do que aquele que as bibliotecas públicas actualmente permitem. E ainda, eventualmente, poder aceder a livros em algumas línguas estrangeiras pouco usuais nas bibliotecas públicas generalistas, ou até a livros em braille. Com o aumento de estrangeiros de tão diversas origens e línguas a residir no nosso país, isto pode vir a revelar-se um complemento interessante à oferta das bibliotecas públicas.

A rede BiblioSol pode ser especialmente relevante fora dos grandes centros. Há ainda, nas zonas menos povoadas do país, casas onde se conservam boas bibliotecas familiares, que podem ser um apoio precioso para um estudante ou qualquer leitor interessado residente nessas áreas, por vezes tão distantes das bibliotecas públicas. 

Mas, mesmo nos grandes centros, onde as distâncias se medem mais em tempo de transporte do que em quilómetros, que diferença entre entre a facilidade de pedir um livro a um vizinho da mesma rua ou do mesmo bairro relativamente a ter de se deslocar até à biblioteca para o ler…


Vantagens directas para os proprietários 

O grande benefício directo para os proprietários dos livros, para além da satisfação moral e intelectual de dar utilidade pública à sua biblioteca privada, será obter um apoio técnico gratuito para passar a ter a sua biblioteca organizada, catalogada e/ou indexada por critérios científicos.

É fundamental que o ficheiro com o catálogo da biblioteca de cada proprietário, para além de estar on-line, possa ser descarregado pelo próprio sem qualquer custo. Até porque pode pretender disponibilizar para o público apenas uma parte dos seus livros, mas querer criar um catálogo da totalidade da sua biblioteca.


Vantagens indirectas para leitores e proprietários 

Para além das vantagens directas referidas, há outras porventura não menos significativas. 

Para alguém que se interessa ou interessou especialmente por um determinado assunto e acumulou bibliografia sobre o tema, é especialmente gratificante o contacto e a conversa com um leitor que se interessa pelo mesmo tema.

Um exemplo: para um velho professor retirado da actividade docente, receber em sua casa um jovem estudante interessado em ler os seus livros, poder dar-lhe conselhos e saber das novidades da sua área, pode proporcionar alguns dos momentos mais gratificantes dos seus dias de reforma.

E para o leitor será certamente diferente de ir a uma biblioteca poder ir a casa de uma pessoa que tem o livro que lhe interessa, conversar com ela sobre o livro, receber talvez conselhos personalizados sobre aquele e sobre outros livros que o poderão interessar.

A rede BiblioSol pode constituir um importante ponto de encontro entre gerações, um combate ao isolamento, um impulsionador do diálogo cultural e um incentivo à leitura.
Poderá eventualmente, com o desenvolvimento do projecto, vir a ser encarada a hipótese de realizar encontros anuais (nacionais ou regionais) dos membros da rede - proprietários e leitores - para troca de experiências.


Outras vantagens para a sociedade 

Para além das vantagens referidas, o conhecimento público da existência de uma biblioteca particular e sobretudo do seu conteúdo, se estiver catalogada, pode ter uma importância especial no momento da morte do seu proprietário. 

Nesses momentos, as bibliotecas e os arquivos particulares correm sérios riscos. Ou porque os herdeiros não se interessam por aqueles livros e aqueles papéis, ou porque nas suas pequenas casas não têm simplesmente espaço para os acomodar. E assim vão parar aos alfarrabistas e são dispersos ou, bastante pior, acabam em papel velho para reciclagem. Ou então, na melhor das hipóteses, serão doados a bibliotecas públicas, que nem sempre têm facilidade em aceitar a doação, seja por razões de espaço, seja por redundância relativamente aos seus acervos ou porque não se encaixam no perfil da biblioteca. Em qualquer caso, perde-se a localização original e reforça-se a centralização deste património.

Mas, com a biblioteca conhecida publicamente e catalogada na rede BiblioSol, é mais fácil que a Junta de Freguesia local, uma associação cultural da zona ou até um amigo da família se possam interessar por ela e se disponibilizem para a acolher e para a manter na rede, acessível para a população, eventualmente mantendo o nome de "Biblioteca de X". Os mesmos leitores poderiam assim manter o uso da biblioteca após a morte do proprietário. E o património documental não se perdia. Que melhor homenagem a quem na sua vida amou aqueles livros ou juntou aqueles documentos?


O papel do Estado através do OPP

O funcionamento da rede BiblioSol não pressupõe qualquer pagamento ou recebimento por parte dos seus intervenientes, leitores ou proprietários. Nesse sentido, não terá custos de funcionamento, nem proveitos pecuniários.

O apoio do Estado, através do OPP, que comportará alguns custos será a construção do site da rede, a criação ou eventual adaptação de tutoriais para uso do software de registo bibliográfico (e eventualmente de registo arquivístico no futuro), articulado com o sistema de referenciação geográfica das bibliotecas participantes, permitindo ao leitor que pesquisa um livro obter informação sobre a localização da biblioteca mais próxima de si que o disponibiliza.

Um aspecto adicional que pode ser acrescentado ao projecto é a existência de um seguro que proteja os proprietários de eventuais desaparecimentos ou danos nos livros que emprestam. Mas será sempre um seguro muito simples e barato. O valor a reembolsar deve ser limitado a uns 50 ou 100 euros, no máximo, competindo ao proprietário assumir o risco de emprestar livros que considere de valor superior ao montante coberto pelo seguro. Accionar este seguro deve implicar a classificação na rede deste leitor como leitor de risco, se não a sua exclusão. Daí a necessidade de o registo dos leitores obrigar ao controle de identificação. Este seguro poderá talvez ser objecto de patrocínio de uma companhia de seguros ao projecto.

Outro aspecto em que o Estado, através do OPP, pode apoiar o projecto é no financiamento de uma eventual rede de técnicos de apoio domiciliário aos proprietários que se sintam menos aptos para catalogarem a sua biblioteca, mas isso não é uma condição necessária para o desenvolvimento do projecto, já que poderá haver algum voluntariado a suprir essa necessidade e também porque as bibliotecas não têm obrigatoriamente de estar catalogadas para entrar no projecto BiblioSol.




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