Uma campanha singular



Publicado em: O Gaiense, 12 Setembro 2009

Hoje gostaria de propor um pequeno teste aos nossos leitores. Tente adivinhar qual é o político europeu que acaba de publicar estas frases:

"A crise veio demonstrar que o mundo precisa de valores e de modelos de sociedade capazes de gerar novas ideias. (Devemos) construir um enquadramento regulamentar no domínio social, ambiental e técnico que coloque os mercados ao serviço das pessoas. O mundo aprendeu, à sua custa, o preço a pagar pelo facto de deixar que os mercados e os seus agentes definam as regras do jogo. (As) taxas de crescimento – e o modelo económico que lhes estava subjacente – eram simplesmente insustentáveis. A retoma exigirá uma abordagem diferente da que foi adoptada no passado. Temos de deixar de nos preocupar unicamente com o saldo líquido e evoluir no sentido de uma abordagem baseada na solidariedade, na partilha dos encargos e na equidade, que seja abrangente e partilhada por todos. É fundamental impedir novas perdas de postos de trabalho e auxiliar as pessoas no desemprego. Precisamos de garantir que os valores da inclusão, equidade e justiça social sejam retomados numa nova abordagem. Não permitiremos que direitos sociais de base, como o direito de associação ou o direito à greve, sejam comprometidos, na medida em que são fundamentais para o modelo europeu de sociedade. (Devemos) permitir que os cidadãos participem na tomada de decisões, nomeadamente através da transparência sobre a forma como tais decisões são tomadas. Devemos explorar o nosso potencial para nos tornarmos uma potência civil para a paz."


Um dos habituais críticos de esquerda, considerados utópicos e irrealistas? Não. Por incrível que lhe possa parecer, isto são extractos do documento com que Barroso está a fazer a sua campanha no Parlamento Europeu. Tendo à partida o apoio seguro do PPE, partiu à conquista de outros votos. Com uma retórica que já conseguiu comover o coração sensível de alguns socialistas. E que lhe pode assim vir a assegurar uma incerta e difícil reeleição.

1 comentário:

Manoel disse...

Excelente post. A capacidade de Barroso para adaptar-se, mas só no discurso, às circunstâncias não deixa de surpreender. Não é de estranhar que seja o único membro da nojenta foto dos Açores que segue em pé. E muito em pé. Amais, deveria existir algum tribunal internacional que proibisse aos "socialistas" chamar-se "socialistas".
Manoel Santos (Altermundo, Galiza)